Durante sua participação no programa Pânico, da emissora Jovem Pan, Bolsonaro afirmou que “não há violência” nas áreas controladas por milicianos e chegou a justificar o apoio a esse grupo criminoso, alegando que “existem pessoas favoráveis” a sua atuação

Foto: reprodução/Jovem Pan

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acumula histórico de defesa da atuação de milícias no Rio de Janeiro durante pronunciamentos públicos. O senador Flávio Bolsonaro, chegou a conceder medalhas de “honra ao mérito” a policiais chefes de milícias.

Durante sua participação no programa Pânico, da emissora Jovem Pan, Bolsonaro afirmou que “não há violência” nas áreas controladas por milicianos e chegou a justificar o apoio a esse grupo criminoso, alegando que “existem pessoas favoráveis” a sua atuação.

Em 2005, Bolsonaro fez um discurso no plenário da Câmara dos Deputados em defesa do ex-capitão da Polícia Militar Adriano Magalhães da Nóbrega, conhecido como Urso Polar, apontado como chefe de uma milícia em Rio das Pedras e ligado ao Escritório do Crime, um dos principais grupos de matadores de aluguel da região.

Na época, Bolsonaro pediu ajuda para reverter a condenação de Adriano e criticou duramente as autoridades estaduais, acusando o governo de Rosinha Garotinho e Anthony Garotinho “de perseguirem os policiais para agradar entidades de direitos humanos”.

As ligações entre Bolsonaro e Adriano não se limitam a discursos. O ex-policial recebeu homenagens de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e então deputado estadual, que chegou a conceder a Medalha Tiradentes a Adriano em 2003. Além disso, familiares de Adriano foram nomeados para cargos em gabinetes políticos, levantando questionamentos sobre possíveis vínculos entre o clã Bolsonaro e o mundo das milícias.

A mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e sua esposa, Danielle Mendonça da Costa, foram nomeadas para cargos nos gabinetes de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Essas nomeações levantaram suspeitas sobre possíveis conexões entre a família Bolsonaro e atividades ilícitas relacionadas à milícia.

Neste domingo, os irmãos Brazão, Chiquinho e Domingos, foram presos acusados de terem sido mandantes do assassinato da então vereadora Marielle Franco. De acordo com a Polícia Federal, Marielle atuava contra os interesses da milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro.