Ao comentar o ataque, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyhu, afirmou que é algo que “acontece em guerras”

Foto: Ahmed Zakot

Um ataque aéreo israelense no centro de Gaza matou sete trabalhadores da World Central Kitchen (WCK), a organização não governamental liderada pelo renomado chef de cozinha José Andrés. Entre os falecidos estavam cidadãos da Austrália, Reino Unido e Polônia, além de palestinos e um indivíduo com dupla nacionalidade dos Estados Unidos e Canadá. Ao comentar o ataque, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyhu, afirmou que é algo que “acontece em guerras”.

Os funcionários da WCK estavam em missão humanitária, viajando em dois veículos blindados distintivos da ONG e em outro automóvel, conforme relatado pela instituição em um comunicado oficial. O comboio foi atingido quando deixava seu depósito em Deir al-Balah, após descarregar mais de 100 toneladas de ajuda alimentar humanitária trazida por via marítima para Gaza.

Erin Gore, diretora executiva da World Central Kitchen, expressou indignação, afirmando que o ataque não apenas visou a organização, mas também constitui um atentado às instituições humanitárias que operam em situações de extrema necessidade, onde a comida é utilizada como arma de guerra. “Isso é imperdoável”, declarou Gore.

Apesar de a coordenação dos movimentos do comboio ser realizada em conjunto com a Força de Defesa de Israel (IDF), a tragédia ressalta os desafios enfrentados pelas organizações humanitárias para garantir a distribuição segura de ajuda em áreas de conflito. A ONU e outros grupos internacionais têm acusado Israel de dificultar a entrega de ajuda humanitária por meio de obstáculos burocráticos e de não assegurar a proteção dos comboios de alimentos.

Este incidente ocorre em meio a um contexto de crescente preocupação com a crise humanitária em Gaza, agravada pela escalada de conflitos e pela falta de acesso a recursos básicos. Todas as organizações da ONU afirmam que os moradores de Gaza estão à beira da fome e a capacidade hospitalar não suporta atender todos os feridos. Já são mais de 35 mil mortes, sendo 75% crianças e mulheres.