“Estamos com complicações para respirar, o dia fica escuro com as fumaças. O fogo continua queimando na floresta, onde as comunidades caçam. Os Yanomami tentam apagar, mas não conseguem”, comunicou a Hutukara, que representa povos da etnia Yanomami

Foto: reprodução

Enquanto você lê, Roraima está enfrentando uma crise ambiental devastadora com incêndios florestais sem precedentes. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os incêndios deste ano já representam o pior cenário registrado em Roraima nos últimos 25 anos. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima declarou estado de emergência ambiental em Roraima até abril de 2025.

Com pouco mais de 200 mil km² de extensão e sendo o estado menos populoso do país, Roraima tem sido atingido por uma onda de incêndios que já consumiu casas, animais e vastas áreas de vegetação nativa. Desde o início do ano, o estado registrou 2,6 mil pontos de fogo, o que representa cerca de 30% de todos os focos de incêndio registrados no Brasil.

De acordo com Bianca Diniz, moradora de Boa Vista e jornalista da Revista Cenarium, o Rio Branco, que abastece milhares de casas, atingiu o nível de -0,14m, uma das piores marcas registradas. Na última semana, um vídeo compartilhado por ela nas redes sociais mostrou uma plantação de Acácias sendo consumida pelas chamas, às margens da principal rodovia do estado, na cidade do Bonfim.

A qualidade do ar também ficou péssima na capital, revela a jornalista. “Quase 3 da manhã e tá difícil de dormir… Boa Vista enfrenta uma péssima qualidade do ar, com a capital e o estado dominando o ranking em queimadas, desmatamento e focos de calor”, destacou.

Gráfico demonstra qualidade do ar em Boa Vista, capital de Roraima

Causas e Impactos

Os incêndios têm sido alimentados por duas principais razões: uma seca severa, atribuída em parte ao fenômeno El Niño, que reduziu significativamente a temporada de chuvas; e as queimadas realizadas para limpeza de áreas de plantio e pasto, comuns nesta época do ano.

Além dos impactos imediatos na qualidade do ar e na segurança das comunidades locais, as chamas estão avançando sobre áreas de vegetação nativa da Amazônia, exacerbando ainda mais a crise ambiental em um bioma já fragilizado pelo desmatamento. Territórios indígenas também estão sendo afetados, incluindo a Terra Indígena Yanomami, que já sofria com problemas de saúde e agora enfrenta uma situação ainda mais grave.

As consequências dessa crise são evidentes em todo o estado, com oito das dez cidades brasileiras com o maior volume de focos de incêndio localizadas em Roraima. A capital Boa Vista tem sido especialmente afetada, com nuvens de fumaça tornando a qualidade do ar péssima e afetando a saúde da população.

Resposta e desafios

Diante da gravidade da situação, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima declarou estado de emergência ambiental em Roraima até abril de 2025. O governo estadual revogou todas as autorizações para queimadas e está mobilizando esforços, incluindo a contratação de brigadistas e perfuração de novos poços artesianos, para combater os incêndios.

No entanto, os desafios persistem, com relatos de incêndios fora de controle em diversas áreas do estado, incluindo comunidades indígenas.

“Estamos com complicações para respirar, o dia fica escuro com as fumaças. O fogo continua queimando na floresta, onde as comunidades caçam. Os Yanomami tentam apagar, mas não conseguem”, comunicou a Hutukara, que representa povos da etnia Yanomami.