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Por Rebecca Lorenzetti para Mídia Ninja

O Greenpeace Brasil emitiu um comunicado comentando o texto final da COP 28, destacando a importância de trazer os combustíveis fósseis para o centro do debate climático. Camila Jardim, especialista em Política Internacional do Greenpeace Brasil, expressou que, apesar da falta de um plano claro para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, a COP 28 representou um avanço ao assumir uma responsabilidade que conferências anteriores não tinham abordado.

O texto resultante da COP 28 delineou as bases para a próxima conferência, a COP 30, aumentando as expectativas para as próximas metas climáticas nacionais, conhecidas como NDCs, que serão estabelecidas em 2025 no Brasil. Jardim ressaltou a necessidade de construir mecanismos claros de implementação, especialmente relacionados a financiamento, capacitação e transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento, questões que serão debatidas na COP 29.

A principal demanda do Greenpeace Brasil na COP 28 foi a construção de um acordo global para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis até 2050. Destacou-se a urgência de os países se comprometerem com essa eliminação, acelerando a transição energética e implementando o Fundo de Perdas e Danos. O Greenpeace reforçou que a queima de combustíveis fósseis é a principal causa do aquecimento global, contribuindo com cerca de 87% das emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) no mundo.

No contexto brasileiro, o Greenpeace reconheceu a oportunidade de o país assumir um papel de liderança na COP 28, destacando a matriz energética de baixa emissão de carbono e a redução de 22,37% no desmatamento na Amazônia. No entanto, o Greenpeace enfatizou que esses fatores não são suficientes, exigindo ações conjuntas para o fim dos combustíveis fósseis, especialmente diante do Brasil ser o nono maior produtor de petróleo e considerar novas áreas de exploração, incluindo a Foz do Rio Amazonas.

O Greenpeace Brasil fez demandas específicas para o país, incluindo o compromisso de redirecionar subsídios do petróleo para sistemas energéticos sustentáveis, a declaração da Amazônia como área livre da exploração de petróleo e metas para se tornar carbono negativo até 2045. O comunicado destacou que a crise climática afeta desproporcionalmente comunidades periféricas, pessoas pretas e pardas, mulheres e crianças, reforçando a necessidade urgente do funcionamento do Fundo de Perdas e Danos, criado na COP 27.

O Greenpeace Brasil concluiu chamando a atenção para a importância da ação em rede, destacando que ninguém pode enfrentar a crise climática sozinho. O apelo é para que mais pessoas e organizações se juntem ao Greenpeace Brasil na busca por um mundo livre de petróleo e outros combustíveis fósseis até 2050.

Saiba mais em: greenpeace.org