No Brasil, a desigualdade também se reflete nos números. O rendimento médio das pessoas brancas é mais de 70% superior ao das pessoas negras

Os cinco homens mais ricos do mundo viram suas fortunas mais que dobrarem desde 2020, atingindo a marca de US$ 869 bilhões, enquanto quase cinco bilhões de pessoas enfrentam uma crescente pobreza, revela o relatório “Desigualdade S.A.” da Oxfam.  A riqueza dos cinco homens mais ricos cresceu assustadores 114% desde 2020, a uma taxa impressionante de US$ 14 milhões por hora.

No Brasil, a desigualdade também se reflete nos números. O rendimento médio das pessoas brancas é mais de 70% superior ao das pessoas negras.  Além disso, o 0,01% mais rico detém surpreendentes 27% dos ativos financeiros do país, enquanto os 50% mais pobres têm acesso a apenas 2%.

“Os super-ricos concentram cada vez mais não apenas riqueza mas também poder. Isso agrava as desigualdades globais de maneira absurda”, afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

“No Brasil, a desigualdade de renda e riqueza anda em paralelo com a desigualdade racial e de gênero. Nossos super-ricos são praticamente todos homens e brancos. Esse pacto da branquitude representa um atraso no desenvolvimento do país e um imenso obstáculo para a construção de um Brasil mais justo e menos desigual.”

A disparidade entre ricos e pobres atingiu níveis alarmantes, com a organização alertando para a possibilidade de o mundo ter seu primeiro trilionário em uma década, enquanto a erradicação da pobreza pode levar mais de dois séculos.

O relatório destaca que sete das 10 maiores corporações do mundo têm um bilionário como CEO ou principal acionista, com essas empresas alcançando um valor combinado de US$ 10,2 trilhões, superando o PIB somado de toda a África e América Latina.

A Oxfam defende a necessidade urgente de medidas para interromper esse ciclo de acumulação de riqueza, incluindo a implementação de serviços públicos eficientes, regulamentação de empresas, quebra de monopólios e criação de impostos permanentes sobre riqueza e lucros excedentes.

O relatório também destaca a concentração de lucros extraordinários nas mãos dos mais ricos, com as 148 maiores empresas do mundo lucrando US$ 1,8 trilhão, 52% a mais do que a média dos últimos três anos. Enquanto isso, quase 800 milhões de trabalhadores ao redor do mundo enfrentam salários estagnados e empregos precários, perdendo US$ 1,5 trilhão nos últimos dois anos.

A Oxfam enfatiza a necessidade de revitalizar o papel do Estado, controlar o poder corporativo e reinventar os negócios para combater essa desigualdade extrema. A organização propõe medidas como impostos sobre riqueza, controle de monopólios, salários dignos e propriedade democrática de empresas como soluções fundamentais para criar uma sociedade mais justa e igualitária.