Os crimes cometidos por Guerra foram investigados com base em seus próprios relatos no livro “Memórias de Uma Guerra Suja”

Foto: Jorge William

A Justiça Federal de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, condenou Cláudio Antônio Guerra, ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) do Espírito Santo, a sete anos de prisão em regime semiaberto por ocultação de cadáver. A sentença foi divulgada pelo Ministério Público Federal (MPF) na segunda-feira (12).

A decisão está relacionada ao desaparecimento de 12 militantes políticos durante o regime autoritário, incluindo nomes como Ana Rosa Kucinski Silva, Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto.

A Justiça reconheceu a “imprescritibilidade dos crimes sob apuração”, considerando-os como crimes contra a humanidade. A denúncia contra Guerra foi apresentada pelo MPF em 2019 e ele foi acusado de destruição e ocultação de cadáveres.

O procurador da República Guilherme Garcia Virgílio afirmou que as ações criminosas de Guerra são graves e não devem ser toleradas em uma sociedade democrática.

Os crimes cometidos por Guerra foram investigados com base em seus próprios relatos no livro “Memórias de Uma Guerra Suja”. Ele confessou ter recolhido os corpos das vítimas e os levados para serem incinerados entre 1973 e 1975. Os corpos foram retirados de locais como a “Casa da Morte” em Petrópolis (RJ) e o DOI-Codi no Rio de Janeiro, sendo incinerados posteriormente na Usina Cambahyba, em Campos dos Goytacazes.

A decisão permite recurso e a Cláudio Guerra foi concedido o direito de permanecer em liberdade. Essa decisão representa mais um passo na busca pela justiça e pela verdade em relação aos crimes cometidos durante o período autoritário no Brasil, reafirmando a importância de proteger os direitos e garantias constitucionais da população.