Movimento estudantil promete responder nas ruas contra o bloqueio de recursos pelo governo Bolsonaro

Estudantes baianos lotaram a reitoria da UFBA para falar sobre o confisco na educação. Foto: Divulgação/Uise Epitácio/UNE

Por Mauro Utida

Os estudantes brasileiros estão dispostos a lutar até o fim contra os cortes anunciados pelo governo de Jair Blsonaro (PL) na educação, que coloca em risco o funcionamento de diversas universidades federais. Uma mobilização nacional unificada está marcada para o próximo dia 18 com o movimento estudantil ocupando as ruas de todo o Brasil.

A UNE (União Nacional dos Estudantes) informou que de 10 a 17 de outubro serão realizadas assembleias de organização dos atos, panfletagens, agitação e esquentas como parte da preparação para a mobilização nacional. Também participam dos atos a UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e a ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos).

 

 

Tire a mão da Federal

Na última sexta-feira (30/09), às vésperas do primeiro turno das eleições, o governo de Bolsonaro publicou um decreto (10.961) que formalizou um novo novo bloqueio de recursos no Ministério da Educação e colocou em risco todas as universidades federais. O contingenciamento foi de 5,8%, o equivalente R$ 328,5 milhões.

Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), este valor, se somado ao montante que já havia sido bloqueado ao longo do ano, perfaz um total de R$ 763 milhões em valores que foram retirados das universidades federais do orçamento que havia sido aprovado para este ano.

A Andifes alerta que corte impossibilitará o empenho (reserva para gasto) de despesas das universidades, institutos federais e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

De acordo com análise do Centro de Estudos Sou Ciência da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o governo Bolsonaro registrou uma redução de 96% nos investimentos destinados às universidades federais nos últimos quatros anos.

A UNE alerta que muitas universidades já estavam em situação de colapso orçamentário por conta do bloqueio orçamentário realizado no primeiro semestre, dentre elas a URFJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a maior do país.

“Com o novo confisco, mais universidades pedem socorro e podem não sobreviver à mais uma redução”.

As mobilizações já começaram

Nesta quinta-feira (6), os estudantes baianos lotaram a reitoria da UFBA (Universidade Federal da Bahia) durante a assembleia estudantil sobre o confisco na educação. Imagens mostram centenas de estudantes durante uma marcha que percorreu as ruas próxima a instituição.

A assembleia na UFBA servirá como exemplo para o movimento continuar mobilizando todas as universidades para barrar os cortes e a reeleição de Bolsonaro.

 

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