Em 2022, o tempo dedicado a atividades domésticas e cuidados familiares foi de 17,8 horas semanais para mulheres empregadas, em contraste com as 11 horas dedicadas pelos homens na mesma situação

Foto: Marcha Mundial das Mulheres

Um estudo recente conduzido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou um pequeno avanço na redução da disparidade salarial entre homens e mulheres nos últimos 10 anos. Os dados, compilados no levantamento “Mulheres no Mercado de Trabalho”, indicam que o índice de paridade salarial subiu de 72 em 2013 para 78,7 em 2023, mas ainda está muito além do ideal. Numa escala de 0 a 100, uma pontuação mais alta representa uma maior equidade entre os gêneros. Mesmo com o avanço, homens ainda ganham até 51% a mais que as mulheres.

Apresentados durante a primeira reunião de 2024 do Fórum Nacional da Mulher Empresária da CNI, os resultados também destacam um tímido aumento na participação feminina em cargos de liderança, passando de 35,7% em 2013 para 39,1% em 2023. Além disso, o índice de empregabilidade das mulheres cresceu 6,4% durante o período analisado, indo de 62,6 para 66,6.

Entretanto, o estudo revelou que desafios persistentes ainda afetam a equidade de gênero no mercado de trabalho. Embora as mulheres apresentem maior escolaridade, com uma média de 12 anos de estudo em comparação com os 10,7 anos dos homens, elas ainda enfrentam uma carga desproporcional de trabalho reprodutivo.

Em 2022, o tempo dedicado a atividades domésticas e cuidados familiares foi de 17,8 horas semanais para mulheres empregadas, em contraste com as 11 horas dedicadas pelos homens na mesma situação.

A discrepância se amplia ainda mais entre os desocupados, com as mulheres dedicando 24,5 horas semanais ao trabalho reprodutivo, enquanto os homens dedicam apenas 13,4 horas.

Ricardo Alban, presidente da CNI, destaca a necessidade de avançar ainda mais para garantir uma verdadeira equidade no mercado de trabalho brasileiro. “É urgente ampliar o debate e implementar medidas concretas para chegarmos a um cenário de equidade plena”, avalia Alban.

No campo legislativo, medidas recentes visam combater a disparidade salarial de gênero. Em julho do ano passado, o governo federal sancionou uma lei que garante igualdade salarial entre homens e mulheres e estabelece medidas para tornar os salários mais justos. Empresas com 100 ou mais funcionários devem fornecer relatórios semestrais transparentes sobre salários e critérios de remuneração, além de canais para denúncias de descumprimento da igualdade salarial.