Independentemente do espectro político, gênero ou etnia, o apoio ao uso das câmeras nunca ficou abaixo de 79%, aponta o Datafolha

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

Cerca de 88% dos moradores da cidade de São Paulo são a favor do uso de câmeras corporais por policiais, revelou uma recente pesquisa do Datafolha, divulgada neste domingo (17). Para os moradores não há dúvidas de que a medida é necessária para transparência da atuação policial, que tem sido cada vez mais violenta e letal.

Segundo os dados levantados, 82% dos entrevistados acreditam que o uso de câmeras nos uniformes seria altamente eficaz para impedir ações violentas por parte de policiais considerados corruptos ou abusivos. O estudo, que ouviu 1.090 moradores com mais de 16 anos entre os dias 7 e 8 de março, revelou uma margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Além disso, a pesquisa indicou que 71% dos entrevistados acreditam que as câmeras contribuiriam significativamente para a redução da violência de forma geral, enquanto 69% acreditam que poderiam ajudar a diminuir as mortes de policiais. Estes números demonstram uma confiança considerável na eficácia das câmeras como uma ferramenta para promover a segurança pública.

Independentemente do espectro político, gênero ou etnia, o apoio ao uso das câmeras nunca ficou abaixo de 79%, com margens de erro variáveis. Para 81% dos entrevistados, todos os policiais deveriam estar equipados com câmeras em seus uniformes, destacando a demanda por uma maior adoção dessa tecnologia.

No entanto, a pesquisa também identificou uma minoria de 8% que se mostrou contrária ao uso das câmeras, enquanto 3% expressaram indiferença em relação à questão.

Denúncia na ONU

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi denunciado ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, pela escalada da letalidade policial no estado. Atualmente está em curso uma das operações consideradas mais letais do estado, na Baixada Santista, com mais de 70 mortes.

Apresentada pela Conectas Direitos Humanos e pela Comissão Arns, a denúncia aponta que a situação na região é resultado de ação deliberada de Tarcísio, “que vem investindo na violência policial contra pessoas negras e pobres”.

“O governador Tarcísio de Freitas promove atualmente uma das operações mais letais da história do estado: a Operação Escudo, na região Baixada Santista. Há denúncias de execuções sumárias, tortura, prisões forjadas, e outras violações de direitos humanos, bem como a ausência deliberada de uso das câmeras corporais na operação”, relatou Camila Asano, diretora-executiva da Conectas, em discurso durante a reunião do Conselho. A declaração ocorreu de forma remota.