O corpo da criança foi entregue aos familiares e permanecerá na comunidade para a realização dos rituais tradicionais da cultura Yanomami

Foto: CBMRR

O Corpo de Bombeiros de Roraima encontrou o corpo de uma criança indígena de apenas 7 anos na comunidade Parima, localizada na Terra Yanomami. A criança foi vítima fatal de um violento ataque a tiros de garimperiros ocorrido na última segunda-feira (3), que também deixou outras cinco pessoas feridas, incluindo um líder indígena, uma mulher de 24 anos, sua filha de 5 anos, e duas meninas de 15 e 9 anos.

As operações de busca, que duraram três dias, tiveram início dois dias após o ataque. O corpo da criança foi encontrado na sexta-feira (7) próximo ao local onde havia desaparecido, após ter caído no rio. Um helicóptero foi enviado de Boa Vista para prestar apoio no atendimento às vítimas durante as buscas.

Após a localização, o corpo da criança foi entregue aos familiares e permanecerá na comunidade para a realização dos rituais tradicionais da cultura Yanomami.

Foto: CBMRR

Até o momento, os responsáveis pelo ataque permanecem foragidos e ainda não foram identificados. O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) emitiu uma nota condenando o ataque e informando que servidores da pasta foram deslocados para a aldeia, juntamente com policiais federais, militares e agentes da Força Nacional de Segurança, no intuito de garantir a segurança das comunidades indígenas e buscar justiça para as vítimas.

“O MPI reforça o compromisso de trabalhar em conjunto com todas as esferas governamentais no sentido de assegurar a completa retirada dos garimpeiros das terras indígenas. Essa atividade não apenas causa graves danos ao meio ambiente, mas também ataca diretamente o modo de vida e a organização social dos povos indígenas”, destaca o comunicado.

As operações para expulsar invasores da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, já retiraram 82% dos garimpeiros, afirmou a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, em entrevista exclusiva à Repórter Brasil. Entretanto, os que permanecem no local são os mais perigosos, pois estão ligados ao narcotráfico e ao crime organizado, alertou.