A 53ª edição do festival acontece de 25 de janeiro a 4 de fevereiro, na Holanda

“Praia Formosa”. Foto: Divulgação

Por Marilda Campbell

Na última quarta-feira (10) foi confirmada a participação de nove produções brasileiras na 53ª edição do Festival Internacional de Cinema de Rotterdam (IFFR), que acontece de 25 de janeiro a 4 de fevereiro de 2024 na Holanda. Entre as obras nacionais estão presentes longas e curtas-metragens de diferentes regiões do país, que participam tanto das mostras competitivas quanto das mostras especiais do Festival.

Três filmes foram selecionados para as mostras competitivas. Para o “Tiger Competition”, que é a marca registrada do IFFR ao celebrar o espírito inovador e aventureiro de cineastas promissores de todo o mundo, o representante brasileiro é o longa “Praia Formosa”.

Com direção de Julia De Simone, a obra conta a história de Muanza, uma mulher oriunda do Reino do Congo, traficada para o Brasil no século XIX, que desperta nos dias atuais no Rio de Janeiro. Neste cenário, ela se depara com um mundo onde o passado e o presente se entrelaçam, iniciando uma busca pessoal por suas origens e compreensão da própria história.

A obra entrelaça ficção, documentário e fantasia ao mergulhar nas profundezas da história do Rio de Janeiro e aborda temas profundos de identidade, tempo e memória. “Praia Formosa” faz sua Premiére Mundial no Festival.

Na categoria “Tiger Short Competition”, dedicada aos curta e médias-metragens, o representante brasileiro é “Potenciais à Deriva”, de Leonardo Pirondi. A obra traz os fragmentos encontrados do exílio que dão vida a um filme inacabado iniciado por um artista brasileiro que viveu em Los Angeles. Trabalhando sob um pseudônimo, o cineasta desconhecido permanece em ausências, paisagens vazias e vozes desencarnadas. Essas vagas visuais atuam como aparições de um Brasil distante forjado pelo imperialismo norte-americano e pela ditadura militar.

“Potenciais à deriva”. Foto: Divulgação

“Retrato de um Certo Oriente”, do diretor pernambucano Marcelo Gomes, participa do “Big Screen Competition”, mostra que preenche a lacuna entre o cinema popular, clássico e de arte. O longa, que faz sua Premiére Mundial no Festival, se passa no Líbano, no final da década de 1940, e conta a história dos irmãos católicos Emilie e Emir que decidem partir para o Brasil.

A bordo do navio para sua nova casa, Emilie se apaixona por Omar, um comerciante muçulmano. Para um Emir enfurecido e ciumento, a relação é intolerável. As ações de Emir e a escolha que Emilie posteriormente faz levam a consequências desastrosas.

“Portrait of a Certain Orient”. Foto: Divulgação

Três longa-metragens participam na categoria “Harbour”, que é dedicada ao cinema contemporâneo:

“Greice”, do diretor cearense Leonardo Mouramateus, faz sua Premiére Mundial no IFFR. A obra conta a história da jovem Greice que estuda Belas Artes em uma Universidade de Lisboa e trabalha como figurinista para uma cantora pop. A protagonista conhece Alfonso enquanto procura uma locação para um videoclipe e os dois começam um relacionamento.

Durante uma festa o casal é envolvido em um incidente que coloca a renovação da residência portuguesa de Greice em perigo. Ela retorna à sua cidade natal no Brasil na esperança de resolver a situação, mas é forçada a enfrentar algumas das consequências de seu estilo de vida.

“Greice”. Foto: Divulgação

“Levante”, de Lillah Halla, faz sua Premiére Holandesa no Festival. O longa conta a história de Sofia, uma jovem atleta que descobre estar grávida às vésperas de um campeonato de vôlei decisivo para sua carreira como esportista. Na tensão do momento, ela só tem uma certeza: não pode virar mãe. A cada passo de Sofia, a equipe de vôlei, um grupo não binário e de identificação feminina, dá o suporte emocional e financeiro necessário para a jovem.

“A Paixão Segundo G.H.”, faz sua Premiére Internacional na Holanda. Dirigido por Luiz Fernando Carvalho, o longa é baseado em uma obra de Clarice Lispector e traz no elenco Maria Fernanda Cândido e Samira Nancassa. A história se passa no Rio de Janeiro de 1964, quando, após o fim de uma paixão, G.H., escultora da elite de Copacabana, decide arrumar seu apartamento, começando pelo quarto de serviço.

No local, ela se depara com uma enorme barata que revela seu próprio horror diante do mundo, reflexo de uma sociedade repleta de preconceitos contra os seres que elege como subalternos. Diante do inseto, G.H. vive sua via-crúcis existencial. A experiência narra a perda de sua identidade e a faz questionar todas as convenções sociais que aprisionam o feminino até os dias de hoje.

Na categoria “Short & Mid-Length”, para filmes de até 63 minutos, três curtas brasileiros foram selecionados:

“Se Eu Tô Aqui é Por Mistério”, que faz sua Premiére Mundial no Festival, é dirigido por Clari Ribeiro. O curta traz bruxaria, suspense e ficção científica. A história se passa em 2024, no Rio de Janeiro, onde a travesti Dahlia desembarca no porto com uma missão: fundar o Clã mais poderoso que já existiu e, assim, derrotar a Ordem da Verdade. No futuro, muitas pessoas são trans. Mas só algumas são bruxas.

Clari Ribeiro é diretore de cinema, montadore e artista visual. Graduade em audiovisual pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e integra a produtora independente Excesso Filmes.

“If I’m Here It Is by Mystery”. Foto: Divulgação

“O Silêncio Elementar” tem direção da mineira Mariana de Melo e faz sua Premiére Mundial no IFFR. O curta se passa em Minas Gerais, local onde identidade, história e topografia têm sido muito influenciadas pela indústria de mineração. Tomando uma abordagem muito pessoal, a diretora explora esse legado dentro da região que ela chama de lar, tecendo dentro e fora da narrativa, imagens de arquivo e documentação. A obra desafia a maneira como olhamos e pensamos sobre a paisagem.

“The Silence of Iron”. Foto: Divulgação

“Um Tropeço em Cinco Movimentos”, da diretora Valentina Rosset, é um acompanhamento visual para a composição de Tōru Takemitsu “Corona for Pianist(s)”. Inspirando-se na partitura gráfica que interpreta notas como círculos e pontos, o curta centra-se no micro, elementar e sensual. Luz piscando na água, os padrões da paisagem, o movimento das mãos: aqui o tempo é retardado e um grande senso de foco é empurrado sobre nós. A produção faz sua Premiére Mundial no Festival.

“Um tropeço em cinco movimentos”. Foto: Divulgação