Cineasta mineira fez história com o drama lésbico “Amor Maldito”, de 1984

Foto: Ricardo Borges/Folhapress

Nesta terça-feira (25) é comemorado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, uma data de extrema importância para lembrarmos de temas relacionados à superação das desigualdades de gênero e raça, colocando a pauta das mulheres negras em evidência.

Além de olhar para o futuro que queremos, é necessário olhar para trás e reconhecer o trabalho de grandes mulheres pretas em diversos segmentos. Para falar de cinema e pioneirismo negro, Cine NINJA e Pretas e Pretos no Poder destacam a incrível Adélia Sampaio, cineasta mineira de 79 anos, um dos principais nomes do audiovisual brasileiro. Adélia possui o importante título de primeira diretora preta a dirigir um longa-metragem no Brasil, com “Amor Maldito”, de 1984.

O filme em questão apresenta a história de amor entre duas mulheres, em meio a uma sociedade conservadora – algo transgressor para a época. Desta forma, a diretora marcou história duas vezes. Baseado em uma história real, a trama retrata uma garota de família religiosa que se apaixona por outra mulher, mas que após a morte de uma delas, acontece um julgamento. O filme não está disponível em nenhuma plataforma de streaming, mas pode ser conferido gratuitamente no YouTube.

Entre outros filmes de sua autoria estão os curtas-metragens “Denúncia Vazia” (1979) e “O Mundo de Dentro” (2018), e os longas (ambos documentários) “Fugindo do Passado” (1987) e “AI-5 – O Dia Que Não Existiu” (2001), este segundo com codireção de Paulo Markun.

Além de outros trabalhos em diferentes frentes dentro do audiovisual, Adélia ganhou uma mostra de cinema com seu nome, a Mostra Competitiva de Cinema Negro Adélia Sampaio, realizada em Brasília (DF), pela pesquisadora e também cineasta Edileuza Penha de Souza. O evento realizou sua quinta edição no ano passado.

Em entrevista ao Portal Catarinas (2021), Adélia falou um pouco sobre negritude e seu trabalho como diretora, ressaltando que se considera “ousada pela coragem de fazer cinema”.

“Eu sempre me senti negra. Sempre tive certeza da importância de ter esse orgulho e de procurar ser a melhor no que quer que estivesse envolvida (…) sou uma negra assumida, uma cineasta assumida, uma mãe assumida, uma avó assumida e vou por aí me assumindo em todos os sentidos. A mulher tem que se assumir”, disse ao Catarinas.

“Nós existimos, nós queremos viver e queremos viver com afeto e dignidade”.

Viva Adélia Sampaio! Viva o cinema brasileiro feito por mulheres pretas!

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