Foto: Divulgação/ Redbull

Por Victória Amaro

Quando começou a surfar, bem pequena, em Ilhabela – SP, Bruna nunca imaginou que um dia iria ser tetracampeã mundial de Kitesurfe. Até o dia em que sofreu um acidente dentro do mar, contrariando o pedido dos amigos para esperar por conta de a onda estar grande demais. A esportista acabou tomando um caldo e colidindo com a prancha. Isso fez com que ela ficasse com trauma de surfar.

Foi aos 15 anos que ela olhando da janela da escola em frente à praia, acabou se apaixonando por uma nova modalidade que pudesse deixar ela perto do seu grande amor, o mar. Após tanto implorar para praticar aquela nova modalidade que foi amor à primeira vista, um amigo resolveu ensiná-la.

Bruna trocou a faculdade de Relações Internacionais pelo Kite. No início quando ela falou para seus pais que queria largar o ensino superior pela modalidade houve um receio. Com o tempo Kajiya conseguiu mostrar seu amor e dedicação pelo esporte, e acabou conquistando a família.

Geralmente, uma carreira de kitesurfista dura seis anos em alto nível. Contudo, a de Bruna ultrapassou esse tempo. O primeiro título mundial dela foi em 2009 e, após isso sofreu uma grave lesão no joelho. Ao retornar acabou batendo na trave pela conquista mundial diversas vezes. Em 2016 e 2017, voltou ao lugar mais alto do pódio. Infelizmente em 2018 ela teve que parar novamente após sofrer uma lesão no menisco.

Neste período, ouviu de muitas pessoas que ela deveria parar com o esporte e lidou com desconfiança de outros patrocinadores, que não acreditavam no retorno.

Bruna não deu ouvidos para aqueles que não confiavam em seu retorno. A kitesurfista conseguiu se recuperar da lesão, e diminuiu o tempo de viagens para cuidar da sua saúde mental, e dar a volta por cima para fazer o que ama.

“Eu acho que a saúde mental, de diversos lados, a gente não fala sobre e passamos por diversas pressões no esporte, principalmente mulheres. Cuidar dela, hoje, vejo que faz diferença na minha vida, como Bruna, como atleta, como pessoa, como namorada. Percebi que durante muitos anos eu vivi em um estresse absurdo.”

No dia 9 de dezembro de 2023 Bruna conquistou seu quarto título mundial, em Doha, no Catar.

“Foi um sonho realizado. Ainda mais depois de quando ninguém acreditou que eu conseguiria fazer isso”, disse Bruna.

Aos 36 anos, Kajiya prova que a idade é um mero número dentro do esporte. A última campeã mundial antes dela havia 19 anos na época, e geralmente com 23 anos as pessoas se aposentam no kitesurfe.

Agora, Bruna já se prepara para o próximo mundial em busca do pentacampeonato. Ela espera que mulheres possam se inspirar nela e praticar o esporte que quiser, sem botar em cheque seus medos e suas angústias.