Em 2022 foram registrados 74 casos de homofobia entre torcedores e jogadores, o que resultou em um aumento de 76% nas ocorrências de LGBTFOBIA em comparação com 2021.

Foto: Felipe Iruatã/ Mídia Ninja

Por Rodrígo Olivêira

Na tarde desta sexta (15), em evento no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), o Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+ divulgou o Anuário com dados de 2022, sobre a LGBTFOBIA no futebol brasileiro.

O evento contou com a presença de membros da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE) do Governo do Estado da Bahia, a Polícia Militar da Bahia através do BEPE (Batalhão Especializado em Policiamento de Eventos), da Comissão Permanente de Diversidade Sexual e Gênero da OAB-BA, além de membros de torcidas LGBTQIAP+ de clubes brasileiros como Bahia, Vitória, Cruzeiro e Internacional.

DADOS

Foto: Felipe Iruatã/ Mídia Ninja

Com apresentação do Anuário feita Presidente do Coletivo, Onã Rudá, o documento traz um levantamento dos dados obtidos no ano de 2022 sobre os casos de LGBTFOBIA no futebol brasileiro. De acordo com alguns dos dados colhidos, mais de 80% de torcedores LGBTQIAP+ não vão aos estádios de forma organizada ou uniformizada além de mais 60% das torcidas não terem diálogo com o clube ou com seus grupos políticos.

Além disso, em 2022 foram registrados 74 casos de homofobia entre torcedores e jogadores, o que resultou em um aumento de 76% nas ocorrências de LGBTFOBIA em comparação com 2021. O Coletivo Canarinhos LGBTQ+ ainda pontuou o uso na numeração 24 entre jogadores das bases dos clubes brasileiros, que segundo os dados obtidos, apresentou queda entre 2022 e 2023.

Acerca da Copinha, Onã Rudá fala que “A Federação Paulista de Futebol estabelece que a ordem numérica dos atletas deve ser de 1 a 30, e muitas federações (…) eles pulam o 24. E a gente consegue aferir isso a partir da súmula do jogo. Então, dentre aqueles que foram a campo com a 24, a gente vê uma queda, infelizmente. Em paralelo a isso, vemos as incidências de episódios de LGBTFOBIA que acontecem porque o atleta juvenil tá usando a camisa 24.”

Já em datas comemorativas da comunidade LGBTQIAP+, como o 17 de maio (Dia Internacional contra a Homofobia) e o 28 de Junho (Dia do Orgulho LGBTQIAP+), foi possível aferir que, entre 2020 e 2022, houve uma queda dentre os clubes brasileiros que falam das datas em suas redes sociais.

IMPORTÂNCIA

Os dados do Anuário que foram divulgados pelo Coletivo possibilitam que sejam feitas políticas públicas de segurança para que a comunidade LGBTQIAP+ possa se sentir amparada pelos poderes públicos em praças esportivas como os estádios.

Nesse sentido, o representante do Batalhão Especializado em Policiamento de Eventos (BEPE) da PMBA, Capitão Gama, afirmou que “O Batalhão de Eventos hoje é um espaço bastante democrático, estamos presentes no estádio com o objetivo de coibir e prevenir a violência. E qualquer iniciativa que tenha pra coibir a violência, a Polícia Militar sempre estará a disposição de todos.”

Para Tairene, membro da torcida Marias de Minas do Cruzeiro, “É um passo importante, não só como torcedora, mas no esporte como um todo. O futebol brasileiro é uma referência mundial, e é incrível que em 2023 a gente ainda tá caminhando, devagar, mas caminhando. E esse espaço aqui, ter o governo, o poder público presente, é importantíssimo pra mostrar que a gente não tá sozinho e que é um resultado de uma luta constante”.

“Tem sido um movimento revolucionário no Brasil, no que tange a organização de figuras LGBT’s dentro da área do esporte. O futebol é a paixão nacional e sempre foi espaço de muita violação de direitos para os nossos corpos. Ver uma sociedade civil organizada, ter pessoas se disponibilizando para organizar um movimento como esse, de fato, nos faz acreditar que nós temos uma trajetória e um caminho de muito sucesso”, afirma Tiffany, da Coordenação LGBT da Bahia.

Confira algumas fotos do evento: