A cidade imperial sofre com chuvas intensas há duas semanas do verão sem preparo estrutural do governo estadual

Carro ilhado durante a inundação de terça-feira (13) em Petrópolis (Reprodução: Redes Sociais)

Por Hellen Sacramento

Petrópolis, região serrana do Estado do Rio de Janeiro, sofre com graves chuvas com alagamentos e deslizamentos de encostas nesta terça-feira (13). No início da tarde, às 13h20, o corpo de bombeiros tocou as sirenes como recomendação para o fechamento do comércio no entorno do centro histórico, além disso, diversos moradores ficaram ilhados em mais pontos da cidade. 

As enchentes e deslizamentos tomaram conta de parte da cidade imperial impossibilitando o deslocamento dos moradores. Relembrando a tragédia ocorrida em 15 de fevereiro, com 258,6 milímetros de chuva em 3 horas, segundo o INMET. A chuva que atingiu o município provocou 242 mortes e 4 mil desabrigados. Após quase 10 meses não foram tomadas providências necessárias para a prevenção das chuvas de verão. 

O corpo de bombeiros liberou às 14h30 o retorno dos comerciantes do centro histórico após uma possível redução de intensidade das chuvas e escoamento das ruas alagadas. 

Providências

Durante a audiência pública, no dia 13 de outubro, o Juiz Jorge Luiz, titular da 4° Vara Cível de Petrópolis, determinou o bloqueio de R$2 milhões do saldo existente na Fonte de Recursos do Orçamento do Estado do Rio de Janeiro, destinando a verba para realização de obras de intervenções e de recuperação das áreas atingidas nos temporais de fevereiro e março deste ano. 

Foi solicitado a demolição, remoção e realocação dos moradores dos imóveis com a concessão do benefício do Aluguel Social. A Secretaria de Defesa Civil e Ações Voluntárias (SMDCAV) ficou com a ordem de finalizar a parte burocrática dos imóveis, como a identificação, e a Secretaria Municipal de Assistência Social foi requisitada para realocar as pessoas que estão em áreas de risco. 

Na sessão, a deputada estadual Taliria Petrone (PSOL-RJ), que sugeriu a audiência para medidas de providências, evidenciou as falhas de políticas públicas de moradia e defesa civil. “É muito duro ver pessoas passarem a depender de aluguel social em decorrência das chuvas, fora a perda da sua identidade com território, o trauma de você ver seus vizinhos sendo soterrados”, completou dizendo: “Não é possível que a gente não dê os passos necessários para impedir que no próximo período de chuvas essas tragédias sejam encerradas.” 

E a Secretaria de Infraestrutura e Obras dedica-se a reduzir os riscos geológicos provenientes dos deslizamentos anteriores. O prazo para realização de cada secretaria é de 45 dias para início efetivo dos processos e 300 dias para a sua conclusão, com multa automática de R$50 mil para os titulares que não cumprirem com o mandato. 

Relatos da chuva

Os moradores registraram vídeos e fotos durante as horas de chuvas mais intensas na cidade, com enxurradas e ruas alagadas. Confira no Twitter: