A proposta brasileira, que deve ser lançada em julho, baseia-se na troca de dívidas por investimentos em programas sociais

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Brasil está liderando uma iniciativa global para impulsionar o desenvolvimento econômico dos países mais pobres da África, por meio do que está sendo chamado de ‘troca de dívida’ (debt swap). Essa abordagem visa oferecer linhas de crédito sem sufocar as economias africanas com altos juros e condições desfavoráveis impostas por instituições financeiras tradicionais, e até mesmo perdoar valores de dívidas dos países com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

A proposta brasileira, que deve ser lançada em julho, baseia-se na troca de dívidas por investimentos em programas sociais específicos. Os países africanos teriam acesso aos recursos desde que se comprometam a implementar um ou dois projetos sociais reconhecidos internacionalmente, listados na Aliança Global contra a Fome. Esta aliança está sendo montada pela presidência brasileira do G20, um dos três pilares estratégicos do país.

O processo de implementação desta iniciativa ocorrerá em três etapas. Primeiro, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) está encarregada de criar uma lista de projetos qualificados. Em seguida, serão identificadas alternativas de financiamento para esses projetos. Por fim, a cooperação técnica sul-sul será promovida para garantir a execução eficaz das iniciativas.

Entretanto, a proposta enfrenta resistência por parte de alguns credores importantes, como a China, que tem aumentado seu investimento na África nas últimas décadas.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, destacou a importância dessa iniciativa durante o encontro dos chanceleres das maiores economias do mundo, incluindo a União Europeia e a União Africana.

Ele enfatizou a necessidade de fortalecer os laços com os países africanos e de lançar uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, uma prioridade-chave da presidência brasileira do G20.

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