Mapa viralizou por vincular fronteira do desmatamento a votos para Bolsonaro (Reprodução)

 

Imagens de mapeamento de votos do primeiro turno das eleições que viralizaram nas redes nesta segunda-feira (3) atestam que cidades localizadas no arco de desmatamento deram vitória a Jair Bolsonaro. Isso causou estranheza. Afinal, são lugares que mais sofrem com a derrubada da floresta e queimadas criminosas. Problema superdimensionado sob a gestão de Bolsonaro. Então, você pode estar se perguntando, porque esses eleitores teriam depositado confiança, justo nesse candidato.

O mapa que separava em azul e vermelho os estados que votaram em Bolsonaro já revelavam a preferência do eleitorado de Mato Grosso, Rondônia e Acre. E até Roraima, estado devastado pelo garimpo. Mas quando foi lançada a lupa sobre os municípios, aí o resultado evidenciou cidades da faixa ameaçada pelo desmonte de políticas ambientais, incluindo do Pará, que no contexto total, deu vitória a Lula. O arco do desmatamento é um território que vai do oeste do Maranhão e sul do Pará em direção a oeste, passando por Mato Grosso, Rondônia e Acre.

 


 

Comentários se multiplicaram nas redes logo que a PHD em Comunicação, Lori Regattieri publicou o mapa do projeto “Atlas da questão agrária brasileira” e de outro, o do primeiro turno. Na sequência, o PHD em Ciências Ambientais, Rodolfo Salm, demarcou com uma linha laranja a área.

 


 

Alertas para conscientizar o eleitorado, campanhas pelo clima, “voto verde”, plataformas de checagem de candidaturas, relatórios que expunham infrações ambientais de candidatos e vínculo com doadores com crimes ambientais: nada disso adiantou.

Afinal, a região é ignorada pelo governo, justamente por conta do aval que ele dá para a destruição. Ou seja, o bolsonarismo está intrinsecamente ligado ao desmatamento e às possibilidades que advém dele.

O mapa da questão agrária brasileira, de Eduardo Paulon Girardi (Unesp), apresentado por Lori, indica em amarelo, principal região agropecuária, enquanto que em rosa, especialização da soja, milho e algodão. “E de verde pontilhado em rosa, zona de incorporação de terras à estrutura fundiária, ou seja, grilagem”, destaca a pesquisadora.

Reprodução Twitter Lori Regattieri

Ou seja, além de serem cidades onde o agronegócio tem força, são regiões marcadas por invasões, inclusive a áreas protegidas – como unidades de conservação e terras indígenas.

São locais também onde o garimpo ilegal tem avançado sobre áreas que deveriam estar resguardadas, não só pelo bem dessas populações, como de toda a humanidade, dado o serviço ambiental imensurável da Amazônia na regulação do clima.

Mas a floresta vem sendo destruída, o que fatalmente impactará no regime de chuvas, por ser área das mais importantes para a formação dos rios voadores. Assim, o próprio agronegócio terá que lidar com as consequências.

Vale ressaltar, indígenas e tradicionais não compactuam com esse processo, pois afinal, são as mais aterrorizadas.

A análise dos votos no arco do desmatamento é útil por demais, para que a sociedade brasileira entenda de vez que nosso tempo está correndo. Precisamos impedir que o arco siga devorando o bioma e é preciso resistir. Grandes projetos de infraestrutura ameaçam a região.

Segundo estudo do Instituto Socioambiental (ISA), as rodovias Belém-Brasília e Cuiabá-Porto Velho iniciaram o desenho desse arco, e atualmente corresponde ao território de 256 municípios que concentram aproximadamente 75% do desmatamento da Amazônia.

“Levantamento elaborado pelo ISA com os dados oficiais do PRODES/INPE mais recentes mostra que novos municípios despontam na lista dos que mais desmatam no arco do desmatamento e pressionam uma nova fronteira do desmatamento. O destaque são as rodovias BR-163, BR-319 e BR0-364 no estado do Acre, as quais como flechas irradiam a devastação para o interior da floresta amazônica”. Não podemos esquecer que Bolsonaro é a favor dessas obras que aumentarão ainda mais as cicatrizes na floresta, ameaçando vidas.

Resumindo, a geografia nos ajuda a entender a política.

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