Bolsonaro, que sinalizou sua intenção de permanecer em silêncio durante o interrogatório, é um dos principais personagens, tendo recebido e feito edições em uma minuta golpista encontrada na residência do ex-ministro da Justiça Anderson Torres

Foto: Agência Brasil

Nesta quinta-feira (22), a Polícia Federal se prepara para uma etapa crucial de suas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado, com o depoimento agendado de Jair Bolsonaro e outros militares, ex-ministros e ex-assessores de seu governo. Os interrogatórios, marcados para iniciar às 14h30, colocam Bolsonaro e militares de alta patente no centro da operação Tempus Veritatis, iniciada em 8 de fevereiro.

A operação, que visa desvendar a disseminação de desinformação sobre o sistema eletrônico de votação e a possível conspiração contra o Estado Democrático de Direito, já resultou em 33 mandados de busca e apreensão, quatro prisões preventivas e 48 medidas cautelares. Entre os alvos, estão figuras proeminentes como Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, ex-comandante do Exército.

O depoimento conjunto dos investigados tem o objetivo de evitar a coordenação de versões entre eles, uma estratégia adotada pela PF para garantir a transparência e a eficácia das investigações. Bolsonaro, que sinalizou sua intenção de permanecer em silêncio durante o interrogatório, é um dos principais personagens, tendo recebido e feito edições em uma minuta golpista encontrada na residência do ex-ministro da Justiça Anderson Torres.

Anderson Torres, por sua vez, é visto como uma peça-chave nas investigações, tendo em vista sua suposta colaboração na redação do documento. O ex-ministro afirmou a pessoas próximas sua disposição em cooperar com as autoridades e responder a todas as perguntas durante o depoimento.

Além de Bolsonaro e Torres, outros nomes convocados incluem Augusto Heleno, Marcelo Costa Câmara, e Tércio Arnaud, entre outros. Caso condenado, a pena de prisão pode chegar a 30 anos.