Darci e seu pai, Darly Alves da Silva, foram condenados pelo assassinato de Chico Mendes em 1988, sendo Darci o executor dos disparos e Darly o mandante do crime. Após uma fuga da prisão em 1993, foram recapturados em 1996

Foto: reprodução

Darci Alves Pereira, réu confesso do assassinato do ambientalista e seringueiro Chico Mendes, assumiu recentemente a presidência do diretório municipal do Partido Liberal (PL) em Medicilândia, interior do Pará. Ele se apresenta como “Pastor Daniel”, e é pré-candidato a vereador pelo mesmo partido de Jair Bolsonaro.

Darci tomou posse no diretório municipal em janeiro deste ano, apesar de seu mandato ter iniciado em novembro. No evento de posse, realizado na Câmara de Vereadores local, ele foi apoiado pelo deputado estadual Rogério Barra (PL-PA), secretário-executivo do diretório estadual da sigla.

Medicilândia, situada no sudoeste do Pará, conta com cerca de 31.975 habitantes, de acordo com estimativas do IBGE. Na foto em que anuncia a presidência, Darci aparece ao lado de Jair Bolsonaro e Michele Bolsonaro, em um banner.

Darci e seu pai, Darly Alves da Silva, foram condenados pelo assassinato de Chico Mendes em 1988, sendo Darci o executor dos disparos e Darly o mandante do crime. Após uma fuga da prisão em 1993, foram recapturados em 1996.

Foto: reprodução

Em uma publicação sobre sua posse no partido, ele convocou os moradores a se unirem ao partido e descreveu o evento como uma reunião de “patriotas”.

Com a repercussão negativa, após publicação no site O Eco, Valdemar da Costa Neto, que foi preso há duas semanas durante operação que apura tentativa de golpe de estado, e é presidente do partido, anunciou que o assassino não seria mais o presidente do PL na cidade, mas a decisão precisa passar pelo diretório municipal.

“Essas criaturas permanecem [no poder] porque usam de várias artimanhas. Quando chegam ao poder, a estratégia é trabalhar pra que a população se mantenha sem acesso à política pública de qualidade, principalmente de educação. Afinal, ter uma educação que forme pensamento crítico e consciência social representa um perigo de ruptura dessa escravidão do voto”, afirmou a filha de Chico Mendes, Angela Mendes, ao O ECO.