A Arquidiocese reiterou sua posição anterior, destacando que “não tem convicção suficiente sobre a materialidade da denúncia”

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A Arquidiocese de São Paulo anunciou nesta terça-feira (23) que foi arquivada a investigação envolvendo o Padre Júlio Lancellotti, que foi alvo de denúncias de conteúdo sexual por parte da presidência da Câmara Municipal. As acusações, baseadas em um vídeo enviado pelo presidente da Câmara, vereador Milton Leite (União Brasil), nesta segunda-feira (22), retratam um homem nú, mas uma perícia atestou que não se trata do padre.

Esta não é a primeira vez que o religioso enfrenta acusações desse tipo. Em 2020, o então candidato à Prefeitura de São Paulo, Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, fez uma denúncia semelhante, mas as investigações realizadas na época não encontraram indícios de crimes.

A Arquidiocese reiterou sua posição anterior, destacando que “não tem convicção suficiente sobre a materialidade da denúncia”. Em nota, o órgão eclesiástico citou o parecer do Ministério Público de 2020, que também arquivou a denúncia, e afirmou que a decisão foi comunicada ao Vaticano. Contudo, ressaltou que, se houver novos desdobramentos, o posicionamento poderá ser revisto.

A polêmica ganhou contornos políticos, uma vez que Nunes e Mamãe Falei são ex-integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre), e o padre é alvo da CPI proposta por Nunes. No início do ano, sete vereadores retiraram o apoio à CPI, alegando terem sido enganados, pois o texto não mencionava Padre Júlio Lancellotti como alvo principal.

O religioso, que lidera a Pastoral do Povo de Rua, já recebeu apoio público, inclusive do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu o trabalho do padre como essencial. O próprio Lula regulamentou uma lei em homenagem a Padre Júlio Lancellotti, atribuindo ao religioso méritos pela sua atuação junto aos moradores de rua.

Confira a nota na íntegra:

“A Arquidiocese de São Paulo, mediante ofício enviado por e-mail ao vereador Milton Leite, presidente da Câmara Municipal de São Paulo, no dia 6 de janeiro, protocolado na Câmara Municipal no dia 8 sucessivo, solicitou-lhe que fosse enviado o material referente à suposta denúncia contra o Padre Júlio Renato Lancellotti.

Finalmente, na tarde do dia 22 de janeiro, o material foi entregue na Cúria Metropolitana de São Paulo. Tomado conhecimento do material recebido, constatou-se que se trata do mesmo conteúdo divulgado em 2020. Naquela ocasião, a Cúria Metropolitana de São Paulo, conforme prescreve as normas da Igreja para esses casos, realizou um procedimento investigativo para apurar a denúncia recebida.

Concomitantemente, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) passou a investigar a dita denúncia, conforme inquérito aberto junto ao Setor de Atendimento de Crimes da Violência contra Infante, Idoso, Pessoa com deficiência e Vítima de tráfico interno de pessoas.

O MPSP, considerando ausência de materialidade, a seu tempo, emitiu parecer contrário à instauração de uma ação penal, acompanhado pelo D. Juiz que decidiu pelo arquivamento do inquérito.

A Arquidiocese de São Paulo, não chegando à convicção suficiente sobre a materialidade da denúncia e considerando as conclusões do MPSP, bem como da Justiça Paulista, também decidiu pelo arquivamento e informou a Santa Sé.”

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