Em um país já sobrecarregado pela crise econômica e agora enfrentando um cenário climático propício à proliferação do Aedes aegypti, cresce a pressão social para que o governo forneça vacinas gratuitas contra a dengue tem crescido

Foto: Ilan Berkenwald /Flickr

A intensa chuva que assolou a Argentina nesta semana e o negacionismo contra vacinas liderado pelo governo de extrema direita de Javier Milei trouxeram consigo um temor adicional para a população: o aumento exponencial dos casos de dengue, que já fez disparar os atendimentos em postos de saúde e fez saltar o registro de mortes, chegando a 79.

Em um país já sobrecarregado pela crise econômica e agora enfrentando um cenário climático propício à proliferação do Aedes aegypti, cresce a pressão social para que o governo forneça vacinas gratuitas contra a dengue. A mobilização tem crescido especialmente após o sucesso da campanha de vacinação contra a Covid-19, durante o governo de Alberto Fernandéz.

No entanto, o presidente Javier Milei e seu governo têm se mostrado relutantes em atender a essa demanda, colocando em dúvida a eficácia da vacina e recusando-se a incluí-la no calendário nacional de vacinação.

“Os estudos mostram que as vacinas são seguras e eficazes”, declarou Eduardo López, médico infectologista do Hospital de Crianças de Buenos Aires ao canal C5N.

A virologista Andrea Gamarnik, especializada no vírus da dengue e pesquisadora do instituto Conicet, denunciou na rede social X que a Argentina está enfrentando “a pior epidemia de dengue da história”, mas que não os “deixam trabalhar” porque, em sua opinião, o governo está desmantelando o sistema científico.

A Qdenga ou TAK-003, vacina do laboratório japonês Takeda contra esse vírus transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, está disponível na Argentina por cerca de 70.000 pesos (412 reais) cada dose. O salário mínimo no país é de 202.800 pesos (1.196 reais).

Crescimento histórico de casos

Com 95.705 casos reportados até o momento, o país já se encontra à beira de superar os registros de toda a temporada passada, marcada como a pior da história em termos de incidência da doença.

Na província de Buenos Aires, onde reside cerca de 40% da população argentina, o aumento foi ainda mais alarmante, com um impressionante aumento de 35.000% nos casos, elevando o número de infectados para quase 13.924.

A postura de Milei tem sido alvo de críticas, principalmente de especialistas em saúde pública, que destacam a importância da vacinação como uma medida crucial para conter a propagação da doença, especialmente nas regiões mais afetadas.

“A vacinação é uma estratégia fundamental para reduzir a incidência e mortalidade da dengue, especialmente em áreas onde a pobreza e as condições ambientais propiciam a disseminação do vírus”, afirma o Dr. Roberto Debbag, vice-presidente da Sociedade Latino-Americana de Vacinologia.

O Brasil também deve se preocupar diante do negacionismo liderado pelo governo do país vizinho. Isso por que cidades de estados brasileiros que fazem fronteira com a Argentina podem ser duplamente atingidos pelo aumento dos casos, já que o país também enfrenta uma onda de aumento de internações e mortes decorrentes do vírus.

No Brasil, as vacinas estão disponíveis de maneira gratuita para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.