Enquanto a chuva finalmente contribuiu para diminuir os incêndios no Pantanal, revelando áreas desmatadas e uma trágica perda de fauna, a comunidade local se une para resgatar e reabilitar os animais sobreviventes

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Grupo de Resgate de Animais em Desastres (GRAD) resgata dezenas de espécies, desde sucuris queimadas até a rara víbora-do-pantanal. No entanto, o desafio vai além do resgate imediato. A comunidade local está se mobilizando para criar locais seguros, distantes das áreas atingidas pelo fogo, para abrigar e reabilitar os animais resgatados.

“Nós chamamos esses animais de vítimas invisíveis, porque muita gente acha que essas espécies não são importantes para o bioma, quando, na verdade, elas são a base de tudo”, destaca Sássi, coordenadora do Grad, em entrevista ao G1.

“A perda dessas espécies ‘invisíveis’ gera um impacto de curto a médio prazo em todos os animais da cadeia, especialmente do topo. Diante da degradação do ambiente, do desmatamento e da morte de muitas espécies, os predadores já estão sendo muito afetados”, explica Sássi, destacando a importância vital dessas espécies na saúde do ecossistema.

Incêndio no Pantanal

O estado de Mato Grosso enfrentou uma crise ambiental preocupante com 1.634 focos de queimadas registrados até 10 de novembro, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Essa situação alarmante levanta temores entre especialistas, que acompanham de perto o avanço do fogo sobre o Pantanal, e emitem o alerta: autoridades precisam agir de maneira urgente.

O Ministério do Meio Ambiente afirmou que mais brigadistas foram mobilizados, e duas aeronaves adicionais serão deslocadas para o Pantanal.

O índice atual de queimadas, embora não tenha atingido os picos registrados em 2022, quando novembro contou com 3.247 focos de calor, preocupa pela sua intensidade e impacto nas áreas pantanosas. O acumulado do ano revela um aumento de 156%, comparado a janeiro a novembro de 2022, segundo o Inpe.

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