Parlamentares da oposição decidiram abandonar a sessão que decidiu o futuro da empresa pública, após extrema violência policial contra moradores e integrantes de movimentos sociais

Sem a presença da população, de parlamentares de oposição, da imprensa, com pessoas detidas e agredidas por policiais militares, a Assembleia Legislativa aprovou por 62 votos a privatização da Sabesp, principal empresa de saneamento de São Paulo. Com a decisão, o governo Tarcísio alcança mais uma vitória, mas isto está longe de ser uma vitória para os moradores.

“Venderam uma das empresas públicas mais lucrativas e eficientes do país, que presta um serviço público essencial, sem a presença da galeria, da oposição, da imprensa, com pessoas detidas, agredidas e com a ALESP com cheiro de gás no ar. Essa é a democracia do Tarcísio”, afirmou o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL).

Parlamentares da oposição decidiram abandonar a sessão que decidiu o futuro da empresa pública, após extrema violência policial contra moradores e integrantes de movimentos sociais, além de funcionários da Sabesp, que lotaram a galeria contra a privatização. Vivian Mendes, presidente da Unidade Popular pelo Socialismo em São Paulo, foi presa pela PM.

“PT, PCdoB, PV, PSOL, PV, PSB tomamos a decisão de que é impossível voltar para o plenário nas condições que nós temos lá dentro”, disse o deputado Paulo Fiorilo (PT) “Temos deputados e deputadas que não podem participar nessa situação”, disse o petista, que mencionou caso de deputada grávida e deputados de idade avançada. “É um erro e um equívoco continuar esse processo hoje”, afirmou o deputado.


https://twitter.com/UP80BR/status/1732532806721380652/video/4

Como publicado pela NINJA, uma consulta popular realizada por sindicatos de trabalhadores da Sabesp, do Metrô e CPTM revelou uma significativa oposição à proposta de privatização do saneamento básico e dos transportes no estado de São Paulo. Com a participação de 879.431 votantes, a apuração indicou que 99,975% dos participantes são contrários à privatização, enquanto apenas 0,014% expressaram apoio à medida, com 0,011% de abstenções.

O plebiscito foi uma resposta dos trabalhadores para dialogar com a população sobre os impactos potenciais da privatização da Sabesp. A iniciativa durou dois meses, envolvendo urnas fixas e volantes em diferentes regiões do estado.

Deputados da oposição argumentam que a proposta de privatização contradiz a Constituição estadual, que estabelece o controle acionário estadual em empresas de saneamento básico. Destaca-se a sugestão de apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em vez de um projeto de lei. Há também apelos para que o governo realize um plebiscito oficial, considerando a rejeição expressiva da população à privatização.

Leia mais:

Mulheres Negras e a privatização da SABESP

Tarcísio quer fazer da Sabesp a nova Enel

Greve une trabalhadores que paralisam em protesto contra privatizações em SP

Antes de apagão deixar 1,5 milhões sem energia em São Paulo, Enel cortou 36% dos funcionários