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Como a luta contra a pandemia do HIV/Aids poderia ser usada como experiência para o enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Brasil? Os elementos que cruzam esses dois momentos históricos da crise no setor de saúde no Brasil e no mundo foram tema do Papo NINJA desta semana, que contou com a ativista Lana de Holanda, o produtor cultural Lucas Manga e o pesquisador Ramon Fontes. A conversa pode ser conferida na íntegra no IGTV da Mídia NINJA no link acima.

Questionados sobre a vivência com HIV/Aids sob o atual contexto, Lana não deixa de mencionar a falta de zelo e política do governo federal e todo o seu ministério, desde luiz Henrique Mandetta, o primeiro ministro da Saúde de Bolsonaro. “A gente hoje vive nesse colapso sanitário sob um governo genocida, que tem um projeto nítido de morte e que diante da crise não se preocupou em nenhum momento com as pessoas com HIV que precisam todo mês buscar seu medicamento”, disse. “Coisas muito simples poderiam ter sido pensadas. As próprias unidades de saúde já tinham soluções que vieram com estados e municípios e algumas redes descentralizadas, mas se dependesse do governo federal, nós estaríamos jogados à morte”.

Lucas Manga, que se assumiu sua sorologia em suas redes durante o período de pandemia, disse que foi se construindo como uma pessoa vivendo com HIV, “e percebi que eu estava vivendo uma vida digna, tudo graças ao SUS. Aí eu comecei a entender que a gente precisa reivindicar e que o governo não se importa com esses direitos”.

A corrida contra a cura do HIV/Aids tem levado algumas décadas e é a principal bandeira de luta das pessoas que vivem ou convivem com o vírus. A pandemia da Covid-19, que tomou proporções gigantescas em pouco tempo, tem revelado uma corrida ainda mais veloz até a resposta definitiva da cura diante de um surto global. Mas, evidentemente, se vê interesses políticos em ambos os casos que não colocam a vida como norte das ações estratégicas dos governos.

“Hoje a gente ta falando de uma pandemia que completou 40 anos que ainda não tem a cura sob os interesses de uma indústria farmacêutica que lucra com vidas vulnerabilizadas”, disse Ramon. “Como Lana havia pontuado, a pandemia do HIV surgiu a partir de determinados grupos, é uma pandemia moral que ganha uma dimensão estigmatizante. A gente está revendo isso sob outra ótica com a Covid. Apesar dela não ter um elemento moral como o sexo, a gente vê toda uma indústria farmacêutica mobilizada, já são inúmeros pedidos de patente sobre a vacina em questão de um ano de pandemia. É muito estranho falarmos disso com essa quantidade de gente morrendo”.

A quebra de patentes no caso do acesso aos medicamentos do HIV/Aids – hoje ignorada pelo governo Bolsonaro no caso da Covid-19, é um recurso que tornou o tratamento ainda mais popular no país. Em 2007, por exemplo, o governo Lula ao decretar quebra de patente do medicamento Efavirenz e importar cópias não-patenteadas do remédio, economizou US$ 30 milhões de dólares com a troca. A decisão é necessária em função de altos preços praticados por empresas que monopolizam a produção. À época, a Fiocruz passou a produzir quase 130 milhões de comprimidos do efavirenz na concentração 600 mg.