Foto: Coletivo Refazenda

Uma iniciativa do Coletivo Refazenda, a “Recria Cine – Mostra de Cinema para Crianças e Adolescentes” chega este ano à sua terceira edição em Ervália, interior de Minas Gerais. De ontem (26) até sábado (28), na Escola Estadual Professora Vivica Rocha, a cidade vai receber longas e curtas-metragens de ficção, animação e documentário. Além da exibição de filmes de todas as regiões do país, a programação conta também com diversas atividades recreativas, oficinas audiovisuais e apresentações culturais de artistas da região.

Notando que o cinema não fazia parte do repertório cultural de Ervália desde a década de 70, quando a única sala de exibição da cidade foi extinta, em 2016 os produtores André Castro, Jules Matos e Tobias Rezende viram na mostra de filmes o instrumento necessário para resgatar na cidade a emergência de um novo mundo possível, pautado na construção de identidades sociais, e promoção e desenvolvimento social e humano.

O cinema, enquanto janela para um modo particular de estar, inventar e compartilhar mundos, é uma potente ferramenta de representação e ressignificação do real, que cria o imaginário dos jovens e sustenta suas concepções de mundo. Nesse processo de formação cidadã, o Coletivo Refazenda contribui para democratizar o acesso da comunidade às produções audiovisuais e apoia essa condição da cultura em um dos países mais diversos do mundo, com suas fontes inesgotáveis de fazeres artísticos e manifestações estéticas.

Diante dessa pluralidade de expressões culturais, é fundamental que o espectador esteja ciente de que o cinema é o resultado de um acúmulo de relações. É preciso que se entenda que o personagem atua, o cineasta conduz, a câmera capta e o montador seleciona, e que dessas relações ainda sai uma interpretação diferente a cada subjetividade espectadora, a cada rosto atento de uma criança que assiste e é estimulada a refletir criticamente.

Nessa incansável busca pela arte, em que medida a cultura desloca o nosso olhar e nos leva à reflexão a partir de outras perspectivas (diferentes daquelas transmitidas diariamente pela TV), é o que os artistas procuram entender. Mas, sem temer, e sob múltiplas visões e interpretações, quem é o artista, afinal: o cineasta, o personagem ou espectador? Isso é o que a Recria Cine, e toda e qualquer forma de difusão da arte do nosso país, procura responder.

Foto: Coletivo Refazenda

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