Por Hayane Bonfim

Anteriormente chamada de “Melhor Filme Estrangeiro” ou “Melhor Filme em Língua Estrangeira”, a categoria para premiar obras de fora dos Estados Unidos não esteve presente desde o começo do Oscar. Embora a Academia tenha premiado honorariamente filmes de língua estrangeira nos anos anteriores, essas produções puderam concorrer competitivamente somente em 1957, quase três décadas após a primeira edição da premiação. 

Enquanto não existia um espaço adequado para celebrá-los, apenas oito longa-metragens falados em línguas que não fossem o inglês receberam o Oscar Honorário. Sem surpresas, quatro deles eram de origem europeia: Vítimas da Tormenta (Itália), Ladrões de Bicicleta (Itália), Monsieur Vincent (França), Brinquedo Proibido (França) e Três Dias de Amor (Itália/França). Os outros três filmes homenageados vieram todos do Japão: Rashomon, Jigokumon e Miyamoto Musashi.

O que difere o “Melhor Filme Internacional” de qualquer outra categoria do Oscar é a magnitude dele: não é a equipe ou profissionais específicos que estão concorrendo, mas sim o país como um todo. No entanto, ao analisar as quase cinco décadas da premiação, é possível encontrar um padrão entre os vitoriosos da categoria: europeus.

Vencedores do Oscar

Com a inclusão de países que não existem mais na conta, dezoito países da Europa contam com uma estatueta (ou mais) para chamar de sua. Enquanto isso, só três países africanos, três países americanos e cinco países asiáticos (Rússia e União Soviética incluídas tanto na contagem para Europa quanto para Ásia) podem dizer o mesmo. 

O mais impressionante de tudo é quando fazemos uma comparação: se somarmos todas as 13 estatuetas dos países vencedores fora do continente europeu (Japão, Irã e Argentina com duas vitórias cada; México, Argélia, Taiwan, Chile, África do Sul, Coreia do Sul e Costa do Marfim com apenas uma), ainda ficariam atrás do primeiro e segundo lugar por sete prêmios. A Itália e a França, juntas, têm vinte conquistas.

Existe uma dificuldade perceptível em Hollywood quando se trata de apreciar a pluralidade do cinema. Em quase 50 anos, parece improvável acreditar que apenas a visão europeia é merecedora de palmas e louros ano após ano.

A própria existência da divisão entre longa-metragens americanos e longa-metragens “internacionais” é um lembrete do esforço necessário para que a indústria cinematográfica saiba que o cinema tem possibilidade de perseverar fora dos Estados Unidos. Pensar na história do Oscar é se recordar que uma tendência se repete e, provavelmente, se repetirá. Caso um filme tenha um diretor francês, uma protagonista espanhola, atrizes americanas e se passe no México (sem colocar os mexicanos em tela), saiba que é o esperado. O padrão nem sempre reflete a qualidade, mas as oportunidades.

Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.