O movimento internacional Attensity!, liderado pelo escritor Peter Schmidt, denuncia o impacto das big techs na mente humana e descreve o modelo de negócios de plataformas como Meta e Google como uma forma de “fracking humano”. Assim como na extração de petróleo, essas empresas injetam estímulos constantes para fraturar a atenção dos usuários, transformando concentração e pensamento em mercadorias lucrativas para o mercado publicitário.

Schmidt argumenta que vivemos em um ambiente digital estruturalmente incompatível com a liberdade de pensamento. Para ele, a economia da atenção não é apenas um modelo comercial, mas uma ação violenta que corrói a capacidade humana de imaginar, sentir e amar. O resultado seria uma sociedade com a consciência fragmentada, operando sob a lógica de algoritmos que priorizam o tempo de tela em detrimento do bem-estar real.

Como forma de resistência, o pesquisador propõe o ativismo da atenção. O movimento busca ir além das regulações tradicionais contra notícias falsas, concentrando-se no fortalecimento da autonomia intelectual. A estratégia envolve tratar a exploração da atenção como um problema global e sistêmico, que exige a organização de comunidades de solidariedade e o desenvolvimento de novas políticas públicas e jurídicas.

Uma das propostas centrais é a criação de “santuários de atenção”. Esses espaços — que podem incluir escolas, universidades, centros culturais ou até momentos simples, como um jantar em família — seriam preservados como refúgios livres da pressão econômica das plataformas. Neles, o compromisso explícito seria com a convivência, a reflexão e o pensamento crítico, sem a interferência constante de dispositivos orientados ao lucro.

A iniciativa conta com o apoio da organização ARTIGO 19 no Brasil, que alerta para os riscos que algoritmos opacos representam para a democracia e para a formação autônoma de opiniões. Para o movimento, proteger a atenção é um passo essencial para o florescimento humano — um processo que exige uma mudança cultural profunda, capaz de valorizar a curiosidade, o tempo compartilhado e o afeto acima do engajamento digital forçado.