Por Patrícia B. Zupo

Realizada entre os dias 28 e 30 de março, a Mostra Surda de Teatro integrou, pelo segundo ano consecutivo, a programação oficial do Festival de Curitiba, que se encerra neste domingo (6) na capital paranaense. A mostra tem como objetivo valorizar e dar visibilidade à produção teatral de artistas surdos, promovendo a acessibilidade e o protagonismo da comunidade surda nas artes cênicas. Com uma curadoria cuidadosa, a iniciativa reafirma a importância da inclusão e da diversidade cultural nos palcos brasileiros.

Em sua segunda edição no Festival, a Mostra Surda apresentou sete espetáculos que exploraram diferentes linguagens cênicas, abordando temas como identidade, resistência, cultura surda e interseccionalidade.

Sob a curadoria do diretor e intérprete de Libras Jonatas Medeiros e da artista surda Rafaela Hoebel, a Mostra consolidou-se como um espaço de protagonismo e representatividade, destacando espetáculos produzidos e interpretados por artistas surdos de diferentes regiões do Brasil.

Drama, palhaçaria, espetáculos infantis e épicos sensibilizaram e emocionaram o público.

Para a diretora do Festival de Curitiba, Fabiula Passini, a permanência da Mostra Surda na programação é essencial: “Ela proporciona um espaço crucial para a expressão artística e cultural da comunidade surda, celebrando sua língua, identidade e experiências, além de incentivar a participação e o desenvolvimento de talentos artísticos”.

Vozes Silenciadas. Foto: Matteo Gualda

Fizeram parte da Mostra Surda os seguintes espetáculos:

“Vozes Silenciadas” – drama que traz relatos reais de surdos do interior do Ceará e denuncia injustiças vividas por essa comunidade.

“A Astronauta Mara: A aventura no mundo das bocas e das mãos” – estrelado por Lyvia Cruz, explora dois planetas: o das mãos, onde todos falam Libras, e o das bocas, onde os ouvintes querem aprender sobre a cultura surda.

A Palhaça Surda Mara. Foto: Luisa Vieira

“A Palhaça Surda Mara” – também com Lyvia, aborda temas como identidade, descobertas, relacionamentos, gestação e estereótipos de forma cômica e acessível a públicos diversos.

“A Chapeuzinho Azul” – releitura inclusiva do clássico infantil, onde a personagem CODA percorre a floresta interagindo com figuras surdas e ouvintes, numa celebração da diversidade e da acessibilidade.

“Ilíada em Libras” – montagem da obra clássica com performance em Libras e tradução simultânea para o português, rompendo paradigmas sobre quem pode acessar as narrativas épicas.

Ilíada em Libras. Foto: Maringas Maciel

“Corpo, Preto, Surdo: Nós Estamos Aqui” – da Cia. de Teatro BH em Libras, destaca as vivências de pessoas surdas e ouvintes negras, com foco em identidade, representatividade e resistência.

“Movimento de Escuta” – espetáculo do Rio de Janeiro que mescla dança e poesia, onde o corpo cria metáforas em uma batalha poética semelhante a um SLAM.

“Língua” – obra bilíngue que narra a história de um taxista surdo e sua mãe, trazendo à tona o desafio da comunicação entre línguas e mundos distintos. O espetáculo integrou também a Mostra Lúcia Camargo, a principal do Festival, reforçando a importância da acessibilidade e da presença de artistas com deficiência em personagens complexos e reais.

Corpo, Preto, Surdo- Nós Estamos Aqui. Foto: Maringas Maciel

Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba: www.festivaldecuritiba.com.br, além das redes sociais no Facebook, Instagram e Twitter.