Mostra de cinema inédita e gratuita exibe curtas produzidos em Belo Horizonte
Programação da 1ª Mostra Cintura de Curtas Belorizontinos acontece no Cine Humberto Mauro e no Cine Santa Tereza
Por Ben Hur Nogueira
Com 10 filmes produzidos a partir de 2020, o evento ocupa o Cine Humberto Mauro e o Cine Santa Tereza com narrativas que transformam BH em personagem e refletem sobre carisma, excesso e pertencimento.
A 1ª Mostra Cintura de Curtas Belorizontinos acontece nos dias 9 e 12 de fevereiro de 2026. O nome da mostra é uma referência direta à Cintura Fina, figura icônica da boemia belo-horizontina que personificou a arte de inventar a si mesma. Assim como ela marcou o imaginário da cidade com sua navalha e seu carisma, os filmes selecionados buscam “dar o nome” na tela, revelando uma Belo Horizonte que é, ao mesmo tempo, cenário e protagonista.
A mostra reúne dez curtas-metragens da nova década (2020–2025) que capturam o sotaque, a arquitetura e os agrupamentos sociais de BH e da região metropolitana. De acordo com a organização, a curadoria buscou obras em que o território mineiro não é apenas um pano de fundo, mas um “personagem coadjuvante” que molda as trajetórias reais e fictícias de quem o atravessa.
A programação divide-se em dois dias de imersão. No dia 9/02, no Cine Humberto Mauro (Palácio das Artes), o público confere obras que transitam entre o afeto e a denúncia social. Entre os destaques está a pré-estreia de “Nós é Ruim e Mora Longe”, de Ítalo Almeida, que narra a jornada de Rayra em busca de lazer antes de iniciar um novo emprego, e “Amor é um Rio de Águas Escuras”, de Aziza Eduarda, um mergulho profundo nas vivências de jovens negros em busca do amor. A sessão conta ainda com o olhar político de “Residual” (Ana Amélia Arantes), a estética contemporânea de “Ouvindo Muito Trap Enquanto Faço Interiores” (Marcus Deusdedit) e a tradição revisitada de “Cordões” (Yuji Kodato).
No dia 12/02, no Cine Santa Tereza, a mostra foca em existências que desafiam o esquecimento e a invisibilidade. Filmes como “Lado de Fora Fica Aqui Dentro” (Larissa Barbosa) trazem à tona o apagamento histórico dos trabalhadores negros que ergueram a capital, enquanto “Habitat Natural” (Efe Godoy) utiliza o cinema de guerrilha via celular para registrar a noite do centro. Completam a noite o íntimo “…Lombrado” (Ítalo Almeida), o onírico “O Homem Imaginário” (Felipe Vignoli) e a jornada de “Andança” (Ben-Hur Nogueira).
Acessibilidade e diálogo
Além das sessões, a Mostra Cintura promove o encontro entre quem faz e quem assiste. Ao final de cada exibição, os diretores e diretoras participarão de um bate-papo com o público. Reafirmando o compromisso com a democratização do acesso, todas as sessões possuem legendas em português e os debates contarão com tradução em Libras.
A entrada é gratuita, com retirada de ingressos pela internet ou na bilheteria dos cinemas.
Programação completa
Dia 1 – 9 de fevereiro (segunda-feira)
Horário: 19h
Local: Cine Humberto Mauro (Palácio das Artes)
- “Nós é Ruim e Mora Longe” (Ítalo Almeida, 2026)
A jornada de Rayra atravessando a cidade para uma última noite de festa. - “Residual” (Ana Amélia Arantes, 2023)
Relatos de mulheres sobre a segregação social expressa nos banheiros. - “Cordões” (Yuji Kodato, 2026)
Os bastidores e a força das Congadas em Minas Gerais. - “Ouvindo Muito Trap Enquanto Faço Interiores” (Marcus Deusdedit, 2025)
Design, juventude e a estética sonora das periferias. - “Amor é um Rio de Águas Escuras” (Aziza Eduarda, 2025)
O cotidiano de dois jovens negros e o mergulho nos afetos.
Dia 2 – 12 de fevereiro (quinta-feira)
Horário: 19h
Local: Cine Santa Tereza
- “O Homem Imaginário” (Felipe Vignoli, 2025)
Um sonho estranho marca o último dia de férias de Joaquim com seu melhor amigo. - “…Lombrado” (Ítalo Almeida, 2023)
Artistas negros e a luta para manter as cores vivas durante a pandemia. - “Lado de Fora Fica Aqui Dentro” (Larissa Barbosa, 2024)
Uma experiência sobrenatural revela o passado excluído de Belo Horizonte. - “Habitat Natural” (Efe Godoy, 2025)
Cinema de guerrilha e a noite estilizada do centro da capital. - “Andança” (Ben-Hur Nogueira)
Personagens que utilizam o solo mineiro como lugar de existência.
Serviço
1ª Mostra Cintura de Curtas Belorizontinos
Datas: 9 de fevereiro (Cine Humberto Mauro) e 12 de fevereiro (Cine Santa Tereza).
Horário: 19h.
Entrada: gratuita, com retirada de ingressos pelo site do Palácio das Artes/Sympla ou nas bilheterias.
Acessibilidade: filmes legendados em português e debates com tradução em Libras.
Informações: @sonica.filmes no Instagram.







