Foto: arquivo pessoal

Fábio Mesquita, médico, epidemiologista e doutor em saúde pública, um especialista com enorme reconhecimento internacional no enfrentamento ao HIV/AIDS, hepatites virais e outras ISTs, será diretor do Departamento de IST/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde a partir de janeiro. Extinto no governo Bolsonaro, o departamento volta a existir.

A notícia gerou impacto positivo junto a setores do movimento social, que celebram a volta de uma gestão participativa, quando populações tradicionalmente marginalizadas, muitas vezes colocadas à margem dos processos de tomada de decisão, terão novamente voz e protagonismo.

Fabio fará parte da equipe de Ethel Maciel, futura Secretária de Vigilância em Saúde, enfermeira aguerrida que esteve na linha de frente no combate às políticas genocidas do governo Bolsonaro, e de Nísia Trindade, cientista, dirigente da Fiocruz, que como defensora do SUS, resistiu ao obscurantismo científico dos últimos quatro anos. Cabe lembrar que Nísia é a primeira mulher na história do Brasil a assumir o posto de Ministra da Saúde.

Fábio Mesquita tem mais de 35 anos de experiência na área, além de um histórico pessoal de luta em defesa dos direitos humanos, pela democracia e pelo SUS. Durante a ditadura militar, foi uma importante liderança estudantil, tendo mesmo que passar um periodo na clandestinidade por conta de seu trabalho de mobilização pró-democracia.

O epidemiologista estava atuando como diretor deste Departamento até o momento do golpe contra a presidenta Dilma Roussef, quando desligou-se imediatamente, trazendo à tona acusações contra o então Ministro da Saúde, Ricardo Barros. Embora na ocasião muitos tenham subestimado a gravidade das denúncias, mais tarde o deputado Ricardo Barros tornou-se líder do governo Bolsonaro na Câmara, sendo um dos maiores responsáveis pelo desmonte de políticas públicas, promovendo o corte de investimentos e defendendo abertamente a privatização do SUS.

O HIV/AIDS, outras ISTs, as hepatites virais, atuberculose e a hanseníase são pautas políticas. Não à toa, as principais vítimas são mulheres, jovens e negros. Fábio Mesquita ampliou a discussão do tema para fora do ambiente da saúde, agregando movimentos ligados às populações-chave afetadas, dando voz às juventudes, trabalhadoras do sexo, pessoas que usam drogas, pessoas negras, indígenas, travestis e transexuais, mulheres cis e homens gays.

Boa parte do movimento social concentrou esforços na construção de uma carta de boas-vindas assinada por quase 80 entidades de todo o Brasil, que segue aberta para novas adesões no link t.ly/D7VGQ. Até o fechamento desta matéria, outras seis cartas de apoio de organizações da área de redução de danos, pessoas trans, trabalhadoras sexuais, pessoas negras e mulheres já tinham sido divulgadas. O movimento social tem postando vídeos de apoio e boas-vindas com a hashtag #VoltaFabio.

Nós do movimento de trabalhadoras sexuais brasileiro, e em especial a ANPROSEX, da qual faço parte hoje como coordenadora, nos unimos a todo movimento social e referendamos a importância de uma gestão popular e participativa que nos inclua, assim como a população negra, periférica, travestis e transexuais, LGBTI+, indígenas, refugiados, pessoas privadas de liberdade, pessoas em situação de rua, pessoas que usam drogas, mulheres e jovens.

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