Como pastora evangélica, mulher preta, defensora dos direitos humanos, mãe e cidadã desse Brasil tão diverso, fico estarrecida toda vez que ouço alguém que se diz cristão pregar o ódio, a discriminação, a violência e a morte. Isso sem falar que vivemos no país que mais mata pessoas LGBTQIA+, onde se violenta e assassina mulheres lésbicas e em que pessoas trans têm expectativa de vida de apenas 35 anos.

Não obstante, junho é o mês de reafirmar lutas e de celebrar ser quem se é, mês do Orgulho. E é neste contexto que vem a postura vergonhosa e polêmica do pastor André Valadão, da Igreja Lagoinha, dizendo que “Deus odeia o Orgulho”, omitindo as devidas conotações do texto bíblico. O orgulho que está nas Escrituras trata do sentimento avesso à orientação, à prática da humildade, não o que traz o sentimento nobre de sabermos quem somos como humanos. Esta é a condição que nos torna sujeitos e sujeitas às mais variadas possibilidades de falhas e fraquezas, pois não seremos de maneira alguma, ainda que possuidores de riquezas materiais ou atributos que possam nos destacar, nada além de humanos (semelhantes e impelidos a nos reconhecer assim). Este orgulho das Escrituras não é o orgulho como sinônimo de alegria e satisfação por ser quem se é, com fraquezas e virtudes, o simples prazer de aceitar-se e amar-se por existir.

Assim, ampliando e aprofundando um discurso que subjetiva e concretamente produz a dinâmica perversa de colocar pessoas LGBTQIA+ em um lugar permanente de exclusão, criminalização, de ódio e violência contínua.

Há pesquisas mostrando que a comunidade evangélica, que é heterogênea, segue sendo bombardeada por fake news sobre o Governo Lula e esse tipo de discurso (do dito pastor) é perigoso e incendeia mais ainda um cenário já tão inflado.

Providências precisam ser tomadas contra a disseminação do discurso de ódio e da mentira, para além da legislação vigente, medidas mais duras precisam ser utilizadas.

No outro viés, o governo Lula precisa de uma agenda eficaz de comunicação para este nicho. Campanhas, peças publicitárias e diálogos diretos são urgentes para não permitir que fake news sejam a tônica para colocar vidas em perigo. A Justiça também precisa agir, pois julho chegou com o tal pastor incentivando seus fiéis a matar pessoas LGBTQIA+.

Não posso deixar de falar sobre o amor revolucionário de Jesus, que não odeia, não discrimina e não apresenta nenhum indício nos escritos bíblicos de disseminação de mentiras.

Ele disse que de uma mesma fonte (coração) não poderia jorrar água salgada e água pura. Os argumentos de Jesus são revolucionários demais para que eles os adotem. Compartilhar o pão, acolher os diferentes e marginalizados, não julgar para não ser julgado com a mesma medida e intensidade, e lembrar-se sempre de que, o que fazemos aos outros, o fazemos a nós mesmos(as).

Jesus pregou e continua pregando peças nos que se pensam donos de Deus, mas isso a gente continua em outra prosa.

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