Milhares vão às ruas na Argentina, 50 anos após a ditadura, contra o negacionismo de Milei
Sob o lema “Nunca mais”, que marcou gerações, a mobilização em massa estendeu-se ao longo do quilômetro que separa a Praça de Maio da Avenida 9 de Julho.
Milhares de pessoas lotaram a Plaza de Mayo, em Buenos Aires, neste 24 de março, em uma das maiores mobilizações dos últimos anos para marcar os 50 anos do golpe militar na Argentina. A data, que historicamente reúne atos por memória, verdade e justiça, ganhou neste ano um forte tom político, com críticas diretas ao governo de Javier Milei.
Convocados por organismos de direitos humanos, como as Madres e Abuelas de Plaza de Mayo, além de sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos, os manifestantes ocuparam o centro da capital argentina para reafirmar o repúdio ao terrorismo de Estado e denunciar retrocessos nas políticas de memória promovidos pela atual gestão.
Durante o ato central, foram lembradas as cerca de 30 mil pessoas desaparecidas pela ditadura (1976-1983), em um discurso que reforçou a importância de manter viva a memória diante de tentativas de revisionismo histórico.

A mobilização também ocorre em meio a críticas ao governo de Milei por cortes de financiamento em políticas de preservação da memória e pelo enfraquecimento de espaços dedicados aos direitos humanos. Organizações denunciam ainda declarações oficiais que relativizam os crimes da ditadura e questionam consensos históricos, reacendendo o alerta sobre o avanço do negacionismo no país.

Além da Plaza de Mayo, atos ocorreram em diversas cidades, com forte presença de jovens, evidenciando a continuidade da luta. Cinquenta anos depois, a Argentina volta às ruas para afirmar que a memória segue em disputa.



