Milhares de pessoas manifestaram-se em Caracas para repudiar os ataques militares norte-americanos contra a Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores.

“Rejeitamos este ataque vil e baixo. Não aceitaremos que outro país nos governe, porque votámos no nosso governo”, afirmou à Agência Sputnik uma jovem manifestante durante a concentração realizada nas proximidades do Palácio de Miraflores, sede do Poder Executivo.

Sob palavras de ordem contra o imperialismo, a multidão expressou o seu apoio à gestão oficialista e a sua rejeição aos recentes ataques, num início de ano marcado por uma forte tensão política e um fervor nacionalista acentuado.

“A Venezuela é um país digno, não nos vamos ajoelhar perante nenhum império”, afirmou Denise Arteaga, outra participante da mobilização. Pessoas de várias idades juntaram-se ao protesto com bandeiras venezuelanas e cartazes com imagens do falecido ex-presidente Hugo Chávez.

Foto: @romearrieche

Apelo à unidade e à resistência

A partir de um palanque montado nas proximidades, uma oradora instou os manifestantes a erguer o punho e fazer o sinal da vitória, como símbolo de resistência perante o que definiu como um novo desafio histórico para o país.

“Ergam o V como sinal de vitória. Na etapa mais difícil da história, este povo não se ajoelhou”, proclamou a militante, aludindo à resistência contra as sanções e o bloqueio económico dos últimos anos.

No ato, destacou-se também a resistência de Maduro na luta pelo regresso de cidadãos venezuelanos deportados dos Estados Unidos para o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), em El Salvador.

O rasto do ataque

Os Estados Unidos realizaram um grande ataque militar contra a Venezuela na madrugada de 2 de janeiro, operação na qual Maduro e Flores foram capturados e posteriormente transferidos para Nova Iorque para enfrentar um processo judicial por crimes relacionados com o narcotráfico.

Foto: @romearrieche

Segundo a Agência Sputnik, o Tribunal de Nova Iorque apresentará formalmente as acusações contra Maduro esta segunda-feira. No mesmo dia, está prevista uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU, solicitada pela Venezuela.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no sábado que Washington administrará a Venezuela até que se possa concretizar uma transição “segura e sensata”. A ofensiva ocorre após meses de tensão crescente, incluindo um bloqueio naval imposto em meados de dezembro. O Governo venezuelano classificou estas ações como uma violação do direito internacional.

Com informações da Sputnik e Xinhua