Ao pensar na conjuntura climática global nos deparamos com um novo termo além do velho conhecido “aquecimento global”, nos é apresentado a expressão ‘ebulição global’ que foi utilizada pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, como um alerta sobre o rápido aumento do aquecimento global. A ebulição global representa uma fase em que as temperaturas da Terra estão aumentando de forma acelerada e as mudanças climáticas estão se intensificando. Estudo realizado pela ONG CarbonPlan prevê que, até 2030, mais de 2 bilhões de pessoas estarão expostas a um mês inteiro de temperaturas acima de 32°C. Aqui, a cidade de Belém, no Pará, pode se tornar a segunda cidade mais quente do mundo até 2050.

O aumento da emissão de gases poluentes na atmosfera fruto da interferência direta dos seres humanos na natureza, como o desmatamento, poluição dos rios, e a utilização de combustíveis fósseis vem causando danos irreversíveis ao nosso planeta.

Entre as consequências da ebulição global estão a ocorrência mais frequente de fenômenos climáticos extremos, como ondas de calor intensas, chuvas abundantes e secas severas. Como observado com a fumaça que assolou a população amazonense proveniente das queimadas ilegais que ocasionou a maior seca registrada no estado deixando mais de 500 mil pessoas sem comida e água. Assim como também as chuvas torrenciais e desabamentos ocorridos no Sul do país fazendo com que as universidades suspendessem as aulas, prejudicando assim, a vida de milhares de estudantes e população em geral.

O Brasil desempenha um papel importante nas discussões sobre a crise climática pois possui uma parte significativa da Floresta Amazônica, que é considerada crucial para o equilíbrio do clima global, já que tem a capacidade de absorver dióxido de carbono. Mesmo tendo esse grande recurso natural, nosso país ainda é responsável por uma grande quantidade de emissões de gases de efeito estufa, principalmente devido ao desmatamento, às mudanças no uso da terra e à atividade agrícola.

Sabemos que o principal responsável por essa situação está no padrão de consumo, produção e na acumulação desenfreada promovida pelo sistema capitalista. Nesse cenário, o Brasil também tem o papel de cobrar aos países do centro do capitalismo global – aqueles que mais poluem – responsabilidade na preservação da Amazônia e no financiamento de projetos a serem aplicados pelo governo, organizações e movimentos sociais. O objetivo deve ser preservar a soberania nacional dos povos e territórios latino-americanos.

A transformação ecológica também pode representar uma grande possibilidade para posicionar o Brasil como referência mundial no desenvolvimento de tecnologias e produção de hidrogênio verde visando o fim da emissão de gases do efeito estufa. Nosso país vive uma janela de oportunidade histórica, de ao mesmo tempo em que pode alavancar seu desenvolvimento, também promover inovações ecológicas, como energias renováveis, transportes mais sustentáveis, replantações, modo de produção menos poluentes e outras estratégias que podem estar na fronteira do conhecimento, inclusive podendo liderar iniciativas no mundo e exportar tecnologias.

Mas para isso é necessária uma participação ativa e estratégica do estado, coordenando investimentos em Ciência e Tecnologia para inovações ecológicas, política industrial fortemente voltada à preservação ambiental e um projeto econômico que preserve a natureza e a vida das pessoas que mais precisam. Isso não combina com a verba aprovada pelo Congresso Nacional para as universidades brasileiras, que foi R$310 milhões menor que o orçamento conquistado para 2023. Com esse orçamento é impossível colocar em prática esse projeto de Brasil em clima de futuro. Mais de 90% da produção científica nacional é feita pelas instituições federais de ensino. Sem elas não teríamos nem Pré-Sal, nem Embraer, por exemplo. Todo o esforço das universidades federais não encontra sustentação sem um orçamento minimamente adequado para custear as inovações que precisamos. Sem orçamento é impossível conquistar o clima de futuro que tanto sonhamos.

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