Sete de junho de 2020. Largo da Batata, São Paulo. Dia histórico para a luta contra o racismo e contra o governo de Jair Bolsonaro. Em meio a tantas sensações e sentimentos estava viva a luta de Marielle, a alegria do pequeno João Pedro, o desespero de George Floyd e a indignação pelas quase 40 mil mortes causadas pela pandemia e por esse governo genocida que insiste em esconde-las e desrespeita-las!

A pandemia escancarou a desigualdade brasileira. Todos podem se contaminar, porém nós periféricos somos os que mais morrem vitimas da falta de politicas publicas de controle da pandemia e da crise econômica e sanitária que se instalou no país.

As mulheres pobres e negras são as que mais sofrem os impactos da pandemia. Nós mulheres negras somos 58% das vítimas de feminicídio e 80% das trabalhadoras domésticas. O isolamento é uma realidade fora do nosso alcance. Por isso, achamos que a luta por democracia e antirracista precisa também repercutir a voz de milhares de mulheres, pretas e periféricas que lutam diariamente para se manter vivas.

No ultimo domingo lançamos um manifesto e inspiradas nas mulheres do Chile representamos nossa indignação contra esse governo com uma performance que ecoou no largo da batata em meio a milhares de pessoas! Nosso grito feminino, preto, periférico e feminista representa o sentimento de todo um povo perseguido, humilhado e desassistido. Não podemos deixar o fascismo crescer! Nossas vidas importam e por elas nunca iremos recuar. Ocupemos as ruas!

Confira abaixo o Manifesto e veja o vídeo da nossa performance no ato do Largo da Batata.

 

MANIFESTO DAS MULHERES

Nós, mulheres negras, periféricas e sem teto estamos nas ruas hoje pela democracia. As mulheres no Brasil já são muito afetadas pela desigualdade e pela violência. Agora, durante esta pandemia nossa situação se aprofundou. Somos nós que cuidamos da casa, dos idosos e doentes. Mesmo assim, a violência doméstica e o número de feminicídio aumentou desde o início da pandemia. Com o descaso do governo Bolsonaro, sua postura violenta e a falta de políticas públicas os números só vão aumentar mais.

Para as mulheres negras a situação ainda é pior. Somos 58% das vítimas de feminicídio e 80% das trabalhadoras domésticas. O isolamento é uma realidade fora do nosso alcance. Mães negras choram o aumento da morte de seus filhos pela violência policial na periferia. Na pandemia, a morte tem cor, tem gênero e classe social.

Também somos nós a maioria nos empregos informais. Não temos respaldo nenhum para ficar em casa durante a pandemia e nos colocamos em risco todos os dias para manter a comida na mesa.

Estamos cansadas, sobrecarregadas, violentadas e ainda assim somo nós mulheres que estamos na linha de frente na luta do dia-a-dia e contra o coronavirus. 70% dos trabalhadores da saúde são mulheres em todo o mundo. E hoje estamos aqui, na luta por nossas vidas, contra o racismo e o machismo. Vamos lutar por cada mulher morta por feminicídio, por cada filho perdido pra violência, por cada mulher vítima do coronavírus. Estamos na luta pela democracia conquistada pela luta de tantas mulheres brasileiras.

FORA BOLSONARO!
O presidente é genocida
Que nos mata por querer
E o nosso castigo
É trabalhar até morrer

O presidente é miliciano
Um assassino no poder
Por Marielle Lutamos
Seguiremos Sem Temer

E Marielle não será esquecida,
nem sua luta,
queremos justiça! (4x)

O assassino é você! (4x)

É o racismo
O Patriarcado
O Estado
O Presidente

O estado é agressor
E bolsonaro ditador!
O estado é agressor
E Bolsonaro ditador!

O assassino é você! (4x)

democracia
defenderemos
contra a censura e o fascismo
Por nossos copos
Por nossas vidas
sem patriarcado e sem machismo

E o assassino é você (4x)

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

André Barros

Vetos genocidas do Bolsonaro

Boaventura de Sousa Santos

A universidade pós-pandêmica

Juan Manuel P. Domínguez

“O lugar do artista é na luta”. Diálogos de quarentena com Rael

Renata Souza

Stonewall Inn.: orgulhar-se é transgredir

Cleidiana Ramos

O dia em que meu nariz me definiu como negra - notas sobre o racismo à brasileira

Jandira Feghali

Diga-me o que vetas...

afrolatinas

Contato com meu “Eu”

SOM.VC

RAP BR: Murica canta com sede de dignidade em novo álbum produzido por MK

Márcio Santilli

Sociedade civil se levanta contra Bolsonaro mesmo sob isolamento e penúria

André Barros

Operações racistas nas favelas

Colunista NINJA

O vírus e as trabalhadoras sexuais na Guaicurus, em Belo Horizonte

Juan Manuel P. Domínguez

"O DJ é um dos elementos pilares da cultura Hip Hop". Diálogos de quarentena com DJ Erick Jay

Randolfe Rodrigues

O Brasil que queremos no pós-pandemia

Jussara Basso

A cultura na periferia em tempos sombrios

Juan Manuel P. Domínguez

O demônio branco esteve infiltrado nos protestos pela morte de George Floyd