Os estudantes não são personagens secundários quando se fala em educação. Somos atores centrais! Vivemos as dinâmicas escolares, sabemos o que é realizado na prática e o que é essencial para o desenvolvimento de nossa vida. Temos consciência das urgências para alcançarmos uma educação de qualidade.

Mas mesmo sendo parte essencial no diálogo para a construção de propostas para a educação, fomos deixados de lado em 2017 durante a aprovação da Reforma do Ensino Médio. O resultado? Inúmeras críticas de um sistema que não funciona.

Mesmo tendo o papel central relegado em 2017 não nos demos por vencidos. Fomos às ruas e após grandes mobilizações, intensificadas nos últimos meses, fomos à Brasília em maio deste ano, em uma comitiva de centenas de estudantes de todo o Brasil para levar as demandas da educação, sobretudo do Ensino Médio, ao Ministério da Educação

Expressamos a importância do diálogo como um elemento fundamental para a democracia. Nosso objetivo é promover a reconstrução do país por meio do investimento na educação. Para alcançar esse objetivo é crucial garantir o comprometimento com recursos para as escolas e com o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). No entanto, é necessário desvinculá-lo de qualquer relação com questões fiscais, como o “arcabouço fiscal”.

Nenhum país se desenvolve e reduz desigualdades sem investir em educação.

Enfatizamos a necessidade urgente de revogar o Novo Ensino Médio. Apesar de sua implementação ter sido suspensa devido a grandes manifestações de insatisfação com o modelo, acreditamos que até mesmo um dia adicional dedicado aos “itinerários formativos” representa um retrocesso para a juventude.

O Ensino Médio no Brasil passa por uma necessidade urgente de construção e fortalecimento. É absurdo pensar que sua expansão é recente, uma vez que antes era acessível apenas às elites. Portanto, não podemos mais aceitar propostas que não busquem a redução das desigualdades sociais, que não estimulem o pensamento crítico e a liberdade dos jovens brasileiros. Além disso, é fundamental que sejamos ouvidos, juntamente com os professores, gestores e funcionários que estão envolvidos diariamente com a realidade das escolas.

No encontro com o Ministério da Educação (MEC), no dia 26 de maio, entregamos uma Carta dos Estudantes Brasileiros ao ministro da pasta, Camilo Santana. No documento enfatizamos os impactos da redução da carga horária das disciplinas tradicionais na formação dos jovens, no acesso à graduação e nas licenciaturas, criando um efeito cascata devastador ao futuro da educação.

Além disso, é importante ressaltar que as 1800 horas de disciplinas tradicionais impostas aos estudantes brasileiros são limitantes. Os itinerários oferecidos não complementam adequadamente nossa formação e sequer cumprem o que é determinado pela Constituição, que garante o direito universal à educação pública até os 17 anos. Essas limitações comprometem nossa trajetória escolar e parecem visar apenas a formação para um trabalho precarizado.

Em nossa carta também reforçamos a necessidade de trazer a educação digital para as escolas, com estrutura e conectividade. A nossa geração já vive a era da Inteligência Artificial e precisamos de investimentos nesta área.

Em nosso encontro com o MEC demos grandes passos em conjunto pela reconstrução da educação e já plantamos sementes fortes e resistentes para a renovação de um Plano Nacional pela Educação. Vamos continuar mobilizados para que a nossa Educação seja pauta central neste governo.

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