Milicianos podem dominar o nosso país de forma inédita se Bolsonaro voltar a se estabilizar no poder

O silêncio ensurdecedor nos becos e vielas antecede o zunido das balas. A professora protege seu aluno com o próprio corpo. O jovem de 14 anos morre fazendo um bico no crime para tirar a grana do leite, do remédio, da passagem. O policial se suicida.

Esse é o nosso país. O responsável pela morte de Marielle Franco é presidente do Brasil. O fascismo pegou a caneta na mão.

Os fascistas operam a máquina do Estado – leia-se, milhares de cargos, bilhões em dinheiro e, o mais importante: o poder da polícia.

Não vale mais subestimar Bolsonaro. O resultado de pesquisas prematuras não pode arriscar a vida do nosso povo.

Mas por que a maior liderança brasileira, considerada a esperança do país, não foi a nenhum ato da campanha Fora Bolsonaro? O que pode explicar isso?

Doria foi, Ciro Gomes foi, João Amoedo foi. Lula não.

Lula tem meu profundo respeito, mas nem a maior das gratidões pode servir para nos deixar endividados eternamente, muito menos se o preço for o silêncio.

Não teve caravana. Não teve chamado.

Por que a principal liderança da esquerda brasileira não puxou um “Fora Bolsonaro”?

O fascismo sairá pela porta da frente? Legitimado como força apta a concorrer eleições? O presidente das 600 mil mortes vai ganhar cargo vitalício no senado?

Prefiro admitir logo a derrota da luta pelo impeachment e começar a fazer a campanha Lula 2022. Acho mais honesto.

Digo isso pois, se Lula irá representar nosso futuro e a esperança do nosso povo daqui um ano, quero começar a discutir desde já qual será o programa que ele irá sustentar.

Não quero saber de ministério ou de apoios eleitorais.

Por que não começar logo um processo de formação de campanha amplo e participativo? Qual o plano para fazer os ricos pagarem pela crise que lhes pertence? Qual a prioridade no combate à violência contra as mulheres? Essas são algumas perguntas importantes em meio a tantas outras.

Acho esse exercício mais honesto e mais produtivo.

Ironias à parte, a tese do “deixa o Bolsonaro sangrar” venceu no interior da classe política, da direita à esquerda. Abandonou-se a luta pelo impeachment no Brasil.

Entre os argumentos que sustentam tal posição há os que defendem que será mais democrático Bolsonaro ser derrubado pelas urnas, até aqueles que consideram não termos números suficientes no congresso nacional.

Porém, nenhum se sustenta. Afinal, dentre as inúmeras variáveis que podem afetar as eleições em 2022, só temos uma certeza: o povo vai enfrentar o Bolsonarismo nas ruas no dia seguinte, ganhe quem ganhar.

Por isso, precisaremos de um povo armado de informações verdadeiras. Só a verdade constrói confiança, da qual nascerá a esperança não apenas para ganhar as eleições, mas para levar também.

Disputar as eleições em 2022 não será fácil. Ganhar também não. Nunca foi, é verdade. Nessas eleições, porém, também não é certo que ganhar seja levar.

Por isso é preferível ser honesto com o povo e começar agora a fazer campanha abertamente. E também começar a deixar muito bem combinados os termos de uma repactuação no campo progressista, com base popular sólida e mobilizada.

No dia seguinte às eleições de 2022, só há a certeza de que será preciso enfrentar o Bolsonarismo.

O ato da campanha “Fora Bolsonaro” que iria ocorrer no dia 3 de novembro mudou para o dia 15, e depois para o dia 20.

Mas enquanto não temos nem data marcada para o próximo Fora Bolsonaro, a esquerda italiana apanha da polícia na rua por nós.

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