No dia 14 de fevereiro de 2019 Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga, estudante, 19 anos, estava na companhia de sua mãe fazendo umas compras de leve, tipo, nada de perigoso, em uma das unidades do supermercado EXTRA, localizada na Barra da Tijuca, cidade do Rio de Janeiro. Porra! Vou ficar preocupado no supermercado? Nada! Tô suave! Deve ter pensado o mano Pedro. Os mesmos seguranças de sempre, com suas atitudes racistas desgraçadas. Ele já estava ciente que os arrombados iam ficar viajando nos manos pretos de quebrada que brotam na loja. 

Mas nesse dia foi além. O vigia cuzão Davi Ricardo Moreira Amâncio de 32 anos, sem motivo aparente, aplica um golpe mata leão no jovem e o imobiliza por 10 minutos. A cena rolando ao vivo, uma pá de gente olhando, filmando e tirando fotos de mais um preto sendo assassinado, em plena luz do dia, dentro do supermercado EXTRA e lógico que ninguém fez nada, além da mãe que gritava surtada pedindo desesperadamente que o assassino Davi Ricardo Moreira Amâncio soltasse o rapaz, que já se encontrava desacordado sem condições de reagir ao ataque desproporcional que sofria. O segurança Davi, assassino, racista, desgraçado, em resposta à mãe do jovem, que estava sendo brutalmente assassinado na frente dela, manda ela calar a boca. A senhora não pode reclamar que seu filho está sendo assassinado. Puta merda! Que treta! 

Depois disso tudo, a ambulância chega, o menor é reanimado, mas sofre outras duas paradas cardiorrespiratórias chegando a óbito às 15h10m, numa quinta-feira. O segurança assassino cuzão Davi Ricardo Moreira Amâncio pagou fiança no valor de R$ 10 mil. Responde em liberdade por homicídio doloso, ou seja, com a sua atitude desproporcionalmente agressiva e desnecessária, assumiu o risco de matar. A treta piora muito quando pensamos que a mãe viu seu filho ser assassinado na frente dela, e, pelo andar da carruagem, nesse exato momento, ela deve estar trampando dopada de antidepressivos, naquela de tentar esquecer que seu filho foi brutalmente assassinado. O perfeito sistema vence mais uma. Mas aí, fica triste não que temos mais assassinatos de gente Preta em plena luz do dia.  

Era domingo. O mano Evaldo Rosa dos Santos, seu sogro, a esposa, o filho de 7 anos e uma amiga estavam de rolê indo para um chá de bebê. Rolê de domingo, vocês entenderam, pá. Numa dessas, as forças armadas estavam realizando uma operação próxima a favela do Muquiço. Sem nenhuma solicitação, aviso, ou desembolo, começaram a realizar disparos e meteram bala de fuzil em um carro cheio de gente. Poderia ser quem quer que fosse. Como assim?  Os cara me abre fogo simplesmente, tipo licença para matar? Ou! Ou! Ou!  Vocês tão no Brasil carai! Sim! aqui nessa treta o estado, vestido de qualquer farda, tem licença pra matar. E, na moral, erro primário! As forças armadas não devem se envolver nessas tretas. Esses bagulhos de blitz, incursão em favela… Essas fitas nem a própria polícia faz direito, visto que a maioria das vezes que os bota sobe no morro, um ou outro é assassinado, uma criança perde a vida, alguém some… Alguma dessas fitas acontece. A cena fica mais grave porque dentro do carro estava um menor, né Zezé? O filho do mano, de apenas 7 anos. Segundo a polícia militar judiciária, foram realizados 257 disparos, dos quais, 62 deles acertaram a nave do mano. Alguns desses acertaram o mano, que vocês tão ligados no final né? Na frente do sogro, filho, mulher e amiga, foi fuzilado. Trauma pra vida toda do menor, que viu seu herói ser morto, pelos que se julgam ser heróis da pátria. Pátria que ama assassinar uns e outros de pele escura. 

Mas péra aí, péra aí! Calma, ou você achou que acabou? Nada, chefe. Tem uns Amarildo, que some do dia pra noite. Uns Rafael que fica preso por causa de Pinho Sol. Várias tretas! 

A última que rolou, vocês já tão cientes. Nosso mano João Alberto Silveira Freitas tava de novo no supermercado. Mas dessa vez no CARREFOUR. Ou! Te falar! Perigoso mesmo é ir fazer compras, fi. Esquece essa treta de troca tiro. De ir na boca e lavar pulão dos homi e ser forjado.  Na moral, aí sem lero, mano. Se for fazer compras, leve a sua questão, tendeu né… Alguma treta para se defenderem sem lero. Ao menor sinal de que algum segurança for tentar alguma treta, reaja, ou melhor, se defenda agressivamente. Preserve a sua vida, fi. Seja prudentemente agressivo. Eu estou chegando à ideia de que eles organizaram um rodízio: “Cada dia vamos matar um preto dentro de um supermercado específico”. Uns manos foram lá, pá, quebraram umas fitas.  O supermercado inteiro, para ser específico. Essas coisas, doido, pá, agressivão! O Carrefour teve lá seu prejuízo sim, mas aí tamo longe dos distúrbios de Los Angeles em 1992, quando uns polícia branco foram absolvidos por terem espancado nosso mano de Rodney King. Os manos quebraram tudo mermo. Aterrorizaram a banca toda. Nós não.  Os menor que foram assassinados na Candelária, cadê nós quebrando tudo? Chacina da cabulo em Salvador , que se passaram 4 anos, e nenhum dos policiais indiciados foi julgado. Pelo contrário. Continuam na ativa. 

São algumas das milhões de mortes que nosso povo está acostumado a ver e infelizmente não reagimos. Depois que George Floyd foi assassinado por um policial branquelo desgraçado na gringa parece que começamos a nos enfurecer. Ótimo! Vários vídeos de uma pá de tia preta tomando soco na cara de uns polícias que se acham donos da treta toda, ninguem fez nada, uma pá curtindo fazer protesto em plena pandemia pra posta no inst, Um sistema carcerário extremamente lotado por pretos e pretas o bagui louco as tretas piorando  e pra variar, temos uns e outros que se acham no direito de fazer merda. Tipo o cuzão do Fernando Holiday. Vendido desgraçado, que, com suas atitudes de neguinho da casa grande, tenta descredibilizar o avanço do povo preto. Ridiculariza nossas vitórias. Teve um ligeiro aumento de operações nas quebradas durante a pandemia. Mata-se mais do que nunca. Isso todos nós já sabemos. Na moral, a missão e lombrada, mais dá pra buscar. Somamos juntos 55% da nação que nossos ancestrais construíram. Temos um presidente eleito, fato, mas com os pés no chão, sabemos que muitos de nós nem sabem que são pretos. O movimento negro tá longe da favela. Somos minoria nas universidades, maioria nos becos, vielas e nos balai lotado, indo e voltando do trampo na pandemia. Somos 75% dos que são mortos pela polícia. Tipo, a cada quatro pessoas mortas pela polícia, três são pretas… a cada 4 pessoas mortas pela polícia 3 são pretas… 

“O universo não vê bem, não vê mal, ele vê vontades.
Que a minha vontade seja maior que a dos meus inimigos”
BK’ Universo – Líder em Movimento

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