Por Filipe Saboia

O que pega? Na quebrada nóis chama isso de “cena do louco”. É, ué! O cara mete bala nos homi e “ele só deve estar surtado”. Não, Zezé! Pra ele tá suave! O cara é branco, mora em uma casa de luxo, tá suave. Ele é branco. Dispara tiros em agentes da PF e ainda está vivo. Tá suave! Ele é branco. A cena do louco, presta atenção, krai! O cara é branco. Acertou os polícia, e não deu nada.

Dia desses para traz, teve outro branquelo louco que estava de rolê com uma de calibre 12 nas mãos. Andando tranquilo pelas ruas, profanando mentiras e provocando ódio gratuito. Ninguém falou nada. Ele é branco. Tem uma foto de três crianças brancas com armas de brinquedo nas mãos, crianças brancas lógico. Porra, o pessoal achou lindo, krai! Aí me diz se fossem três crianças negras? Já iriam falar que os menor são o futuro da bandidagem ou coisas assim. É medíocre a maneira que as cenas acontecem. Tem lógica nisso? Tem não Zezé. Nessas ideias avançadas eu queria ressaltar a maneira como o sr. terrorista Roberto Jefferson foi muito bem tratado pelos agentes da PF, que fizeram questão de entrar desarmados na residência do criminoso após ele atirar e atingir seus colegas de profissão. Óbvio! Isso tudo acontece e vem você e me fala que diretos humanos não existem. Lógico que existem, kralho! Olha aí eles funcionando e direitinho. Parece até outro país. Pela órdi, foi o diálogo dos polícias com o terrorista, aos sorrisos e com muita educação, explicando a ele, o terrorista Robeerto Jeferson, que era pra ficar tranquilo que nada iria lhe acontecer.

O padre de quadrilha acompanhando tudo de perto, tá ligado? Todo circo precisa de um palhaço, então, bem-vindo ao espetáculo da pilantragem. Porra! Aí, por muito menos, uma pá de mano morreu, por nada. Aliás, o terrorista estava cumprindo prisão domiciliar, acusado de organização criminosa contra o Estado brasileiro. Ele tinha que cumprir umas medidas restritivas, né? Tipo não ficar na rua depois de certo horário, não ter acesso a armas, não xingar ministros do Supremo, essas coisas. Tipo ficar suave, light. O terrorista estava organizando uma milícia pro bolsomerda, com o intuito real de provocar a desordem no Estado brasileiro. Amigo próximo do presidente. Sabe, né? Aquelas coisa: parceiro, camarada, aliado, foto junto no Insta, essas fita, desse jeito.

Mas aí, para não ser injusto, vamos avaliar outras situações para eles, os brancos, não vir de ideia de oprimido. Então, esses dia pra trás tinha um mano de rolê de moto. Esse, só para lembrar em questão, é preto. Então esse foi abordado pela polícia rodoviária federal. Abordaram o irmão daquela forma brusca de sempre, regado a bastante violência psicológica e verbal, uma pá de chute, soco, pescotapa, muito spray de pimenta e gás. Isso tudo que estou relatando foi filmado, pá, aquelas coisas. Não satisfeitos, os agentes da PRF jogaram o mano na bunda da barca, lançaram um tipo de gás, fecharam a porta da bunda da barca, e boa. Tá pronto a receita do mal. O cara, senhor Gevanildo de Jesus Santos, não resistiu aos métodos utilizados pelos agentes, parecido com um bagui chamado câmara de gás. É tipo naquela, né? Eu vejo o futuro repetir o passado. Irônico, vergonhoso, patético, revoltante! É, ué. Irmão, não sei quem sobreviveria a essa treta. É tipo esse filme de terror, em plena luz do dia, o caos na terra, eu diria assassinato cruel e macabro, o mano gritava, algemado pelos pés e mãos, enquanto saia uma quantidade enorme de gás, e ele se debatendo, os “agentes da lei” se divertiam, cumprindo seu dever: matar e oprimir preto e pobre. Simples! Nesse caso, foi aberto procedimento interno para avaliar a conduta dos agentes, ou seja, não vai dar em nada. Mas assim, para falar a real, tem uma parada que se chama “cem anos de sigilo” no bendito processo administrativo, eles, a polícia rodoviária federal, justificaram dizendo que os processos se tratam de assunto pessoal [???].

Aí eu não entendi nada. Mas não importa. É só mais um preto pobre, morador de periferia, homem negro assassinado pela polícia em abordagem. Os caras metem o sigilo pros pretos. Pros brancos e ricos é respeito amor e carinho. Travamento VIP! Aí vamos fazer um balanço chamado guerra sim, chefias. Tá rolando umas guerras por aí, mundo a fora. A mais famosa, pá bagulhão, que o pessoal tá dando atenção é lá na Ucrânia. Europa, né pai? Os brancos lá, pá, outro tratamento pela mídia Zezé. Mas vamos lá se ater aos fatos: no dia 09/10/22, um ataque à cidade de Zaporizhzhia, na Ucrânia, deixou 17 mortos. Lembrando que eles estão em guerra. No dia 06/05/21 teve um ataque da polícia carioca na comunidade do Jacarezinho, que de uma vez matou 29 pessoas, em sua grande maioria jovens e negros. Tipo, eles – a polícia – anteciparam a guerra. Na real eles antecipam toda hora. É, ué! Números de guerra! É assim, irmãos e irmãs: para o corpo preto, tiro. Para o corpo branco, SPA, flores e chantili. Porra! Desigualdade extrema de tratamento.

Aí me diz então, me diz. Estamos em guerra e somos os alvos, eles combinaram de nos matar. E estão cumprindo a promessa de forma efetiva e com sucesso. Se depender deles, o êxito é real. Se depender de nós também, real. Estamos organizados para tal? Não. Aí nós, como povo preto, estamos contestando realmente as mortes com efetividade. Não somente entrando com um processo de reavaliação desse sigilo maluco de 100 anos, que foi imposto por um sistema de racismo estrutural, no qual, estamos inseridos. Ou então nós tá conversando com os irmãos e irmãs evangélicos lembrando a eles e elas que Jesus é preto e, fi, se fosse branco eles não iriam colocar ele na cruz. Nós tá fazendo uns cursos pré-Enem na quebrada, naquela de aumentar o número de pretos e favelados com diploma universitário. Tamo cobrando dos branquinho, que você votou na eleição passada? Não, né? Então por que preto sendo eleito para cargos políticos são quase nenhum, mas branco sendo eleito com voto preto são vários? E você acha que esses branco eleito tão preocupados com você preto, preta? Não, não, não! Tá lombrado demais a missão. É treta, mas ainda tem jeito.

Mesmo que o Lulão vida loka volte, as coisas não serão fáceis. Temos que nos organizar de maneira efetiva, pretos e favelados. Pois sabemos com exatidão onde lombra, não é? Onde fica localizado o esgoto a céu aberto, e não é na mansão do bandido Roberto Jefferson. E também não é lá que os barrancos caem em época de chuva, não é lá que as mães enterram seus filhos menores de idade, mas é lá na casa desse safado, amigo pessoal do presidente, que esses inúteis discutem menoridade penal, discutem um Brasil só para ricos, definem às regras da nação, vendem o país pros gringos e ainda se dizem patriotas.

Nessa onda de violência que só cresce e, lógico, vindo do lado dela, eles não respeitam ninguém. Um ato da campanha pro Lula em Macaíba, região metropolitana de Natal, foi interrompido após seis disparos de arma de fogo. O aumento da violência vem do lado branco, onde se julgam os donos do lugar. Imagina se fosse um preto atirando em um policial? Tava morto, todo furado sem dó, sem nenhuma piedade, com aquelas frases típicas desse povo – “bandido bom é bandido morto” – com altos vídeos postados mostrando sua morte. Aí eu pergunto: bandido bom é bandido morto?

Ou, quem é bandido de verdade?

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Colunista NINJA

Memória, verdade e justiça

FODA

Qual a relação entre a expressão de gênero e a violência no Carnaval?

Márcio Santilli

Guerras e polarização política bloqueiam avanços na conferência do clima

Colunista NINJA

Vitória de Milei: é preciso compor uma nova canção

Márcio Santilli

Ponto de não retorno

Andréia de Jesus

PEC das drogas aprofunda racismo e violência contra juventude negra

Márcio Santilli

Através do Equador

XEPA

Cozinhar ou não cozinhar: eis a questão?!

Mônica Francisco

O Caso Marielle Franco caminha para revelar à sociedade a face do Estado Miliciano

Colunista NINJA

A ‘água boa’ da qual Mato Grosso e Brasil dependem

Márcio Santilli

Mineradora estrangeira força a barra com o povo indígena Mura

Jade Beatriz

Combater o Cyberbullyng: esforços coletivos

Casa NINJA Amazônia

O Fogo e a Raiz: Mulheres indígenas na linha de frente do resgate das culturas ancestrais

Rede Justiça Criminal

O impacto da nova Lei das saidinhas na vida das mulheres, famílias e comunidades

Movimento Sem Terra

Jornada de Lutas em Defesa da Reforma Agrária do MST levanta coro: “Ocupar, para o Brasil Alimentar!”