Estupro coletivo no RJ: Uma brutalidade em camaradagem
A masculinidade, quando construida sobre a necessidade de dominar, torna-se objeto de prova permanente. E, nesse modelo, a prova é a capacidade de exercer poder sobre alguém vulnerável.
Por Débora Diniz *
O enredo é assombroso. Uma adolescente de 17 anos, levada à cena da violência por um ex-namorado, em que cinco rapazes a violentaram. Assim mesmo parece ter sido: um estupro coletivo. Uma brutalidade em camaradagem.
O estupro coletivo funciona como ritual de espelhamento: cada um se vê confirmado no olhar do outro enquanto participa da violência. Isso não se cria no instante do crime; se atualiza. É precedido por crenças e práticas que naturalizam a objetificação, que trata mulheres como prêmio, que relativiza consentimento, que transforma insistência em conquista e agressividade em traço viril.
Paremos para pensar o que faz cinco rapazes, todos maiores de idade, se juntarem para violentar uma adolescente conhecida? Não, não é pelo prazer do sexo. É pelo gozo da dominação e pela admiração mútua que os cinco terão entre si.
A masculinidade, quando construida sobre a necessidade de dominar, torna-se objeto de prova permanente. E, nesse modelo, a prova é a capacidade de exercer poder sobre alguém vulnerável. A vítima não é vista como sujeito -ela é reduzida a instrumento para a coesão masculina.
É por isso que o estupro coletivo tem essa dimensão de “camaradagem brutal” e a vítima, um objeto sacrificial.
*Professora, escritora. O texto foi publicado originalmente no Instagram @debora_d_diniz.



