Por Artur Nicoceli | Estudantes NINJA

Foto: Votação dos alunos do Grêmio Fênix

Os centros acadêmicos (C.as) são organizações de cunho social, sem fins lucrativos que discutem as necessidades educacionais diante das políticas
públicas dentro das universidades. No entanto existe um debate em paralelo que é o adultocentrismo, que significa estabelecer o poder para adultos e
deixando jovens e crianças com menos liberdade de opinião. Perante essa necessidade do debate com menores de idade surgem os grémios estudantis que também são organizações no mesmo formato dos C.as, porem debatem o estatuto interno de uma instituição de secundaristas e a conjuntura nacional que os afeta diretamente. Assim, os estudantes de ensino fundamental e médio já começam a ter opiniões políticas desde a
escola e não precisam mais aguardar entrar nas universidades para que haja debates.

Teresa Pralon Catelli (17) é estudante do Colégio Equipe e integrante do grêmio Pão de Milho, a organização dos estudantes é horizontal, portanto não
existe disputa de chapas anualmente para comandar a gestão e também não tem membros fixos, portanto qualquer um pode aparecer e participar
ativamente dos debates internos da escola e também sobre a conjuntura nacional. “Então, a gente quase sempre se envolveu muito nas questões
internas da escola, como questões estruturais, eventos culturais, enfim, mas recentemente a gente tem tentado se mobilizar para a questão mais política, como a reforma do ensino médio e reforma da previdência, a gente têm tentado chamar mais a galera pra luta, passar nas salas explicando e chamando para os atos”.

Já o estudante Gabriel de Luca (16), estudante do 3º ano do ensino médio da ETEC Lauro Gomes e integrante do grêmio Fênix também acredita que a
administração da organização serve para atuar politicamente e ativamente dentro da sociedade, propondo dentro do ambiente escola debates com pautasecessárias a discussão através da arte, do esporte e da reflexão. “Cada dia mais eu valorizo a importância da formação desse senso crítico dentro da minha instituição, e gostaria muito que ações assim ocorressem com mais frequência em todas as escolas do país”. No entanto, ele afirma que existe uma necessidade da autorização da diretoria perante qualquer atividade que o grêmio se propõe a fazer dentro da instituição, todos os projetos devem ser oficialmente documentados e encaminhados para eles, assim existindo uma burocratização interna da instituição. “Acho que a maior problemática nisso é que a diretoria já possui muitas questões para resolver por si só, por sermos uma instituição grande com um número e uma diversidade de alunos maior que o normal, sendo assim as questões levantadas pelo Grêmio somam e algumas vezes ficam em segundo plano para serem resolvidas”. A estudante do Colégio Equipe também argumentou sobre o não interesse da grande maioria dos estudantes, pois é uma escola privada de um nicho elitista.

A política do colégio é ser construtivista, no qual as pessoas têm opiniões políticas similares, então normalmente, não existem discussões diante de opiniões opostas. “Isso faz com que não tenha um incômodo e as coisas sejam muito confortáveis, a gente tem um diálogo direto e muito pessoal com a coordenação e orientação, então não temos muitas questões estruturais nesse sentido. Acho que tudo isso gera uma preguiça dos estudantes”. A necessidade dos grêmios estudantis dentro das escolas trouxe um panorama social que abarcou diferentes políticas de interesse mútuo aos estudantes, assim quando se unem em prol da construção de um organismo político-social dão voz aos secundaristas e rompem a barreira do adultocentrismo, demonstrando que não é porque eles são menores de idade que não possuem opinião política.

O estudante Thomaz Assaf Pougy hoje universitário da USP-Poli era integrante e presidente do grêmio estudantil do colégio Elvira Brandão afirma que mesmo sendo um colégio pequeno o debate estudantil têm a perspectiva de conscientizar uma sociedade menor de idade sobre fazer parte das políticas internas da faculdade e isso culmina em secundaristas que rumam a universidade com uma mentalidade politicamente ativa não necessitando
começar, mas sim integrando os centros acadêmicos das universidades públicas e particulares.

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