Pelo Estudante NINJA Vinicius Melo, Instituto Federal da Bahia

Negação de um regime militar ditatorial ocorrido no Brasil e disseminação de um fantasma comunista, são apenas alguns dos elementos que indicam um viés antidemocrático e corrosivo dos discursos que nessas últimas eleições ganharam voz em segmentos mais conservadores, outrossim, cada vez mais tivemos representatividade das pautas feminista, LGBT, indígena e antirracista nos meios de comunicação, nas ruas e até mesmo no congresso. À medida que ambos os lados foram lutando por espaço em discussões, os discursos foram tendendo a uma radicalização e acabamos alimentando a polarização política.
Nesse ponto, é importante sabermos que o radicalismo (em pequenas quantidades) faz parte de todo movimento social e se faz necessário principalmente para quem sofre todos os dias com o preconceito, seja por sua cor, gênero, classe ou etnia. De fato, não nos sobra muito espaço para a tolerância quando estamos saturados da sociedade nos tratar com discursos de ódio e preconceitos camuflados de piadas. Mas temos que ser ainda mais fortes e não deixar cultivar o extremismo, abusando do radicalismo e deixando crescer a arrogância, dando espaço para a opressão.
O problema da polarização é que ela cria uma barreira metafísica entre as pessoas de diferentes polos. Passamos a nos reconhecer em sociedades distintas e essa falta de congruência, quando em excesso, é nociva a qualquer regime democrático.

#15M Porto Alegre/RS | Foto: Thales Ferreira/Mídia NINJA

Conforme as lutas vão se acirrando, produzimos mais diferenças e à proporção que geramos essas diferenças, produzimos a desigualdade. A disputa de poder entra em outro nível, grupos que antes pertenciam a uma mesma sociedade passam a lutar para que o estado reconheça a sua parcela como a legítima.
Ao assumir o poder, Bolsonaro e a sua cúpula hoje lutam para que a educação atenda às suas ideologias, reforçando teorias conspiratórias do guru de direita Olavo de Carvalho.

Não por acaso, o Ministério da Educação se encontra no mais caótico estado. Ao conseguirem o controle das políticas para a educação, os integrantes do movimento conservador se empoderam das suas crenças e conseguem a oportunidade de disseminar com o caráter legitimador do Estado, suas crenças antidemocráticas.
Quando não existe congruência entre políticos de lados opostos a nossa democracia entra em risco, passando a se enxergar como inimigos, deixam de aceitar o direito de existência de uma oposição ideológica e é neste cenário que regimes autoritários ganham força.
Não se enganem, a polarização é como um vírus que adoece a nossa democracia. Pouco a pouco adentra o cotidiano das pessoas e se torna socialmente aceita entre as bolhas sociais por nós vivenciadas. Precisamos encontrar uma harmonia entre as prioridades de cada grupo e superar as nossas diferenças, para o bem da nossa democracia.
Não podemos esquecer do papel fundamental que a educação tem nesse processo. Em consonância com o que Paulo Freire certa vez disse, “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor”.

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