O projeto de pesquisa “A recepção do mito e do rito de um Teatro Negro Contemporâneo”, da atriz e pesquisadora Ainá Ayofemi de Campos Bento, entra em circulação neste ano, com sua primeira apresentação marcada para o dia 28 de janeiro (quarta-feira), às 9h, na quadra da Praça José Paulino Ribeiro, no Jardim Bassoli, em Campinas.

A apresentação tem duração média de 40 minutos e, em seguida, será realizada uma roda de conversa. A entrada é gratuita, com participação voluntária do público.

O espetáculo “OlorumAyé: uma história iorubá”, apresentado pelo Grupo ORIKI, já circulou por Campinas nos anos de 2023, 2024 e 2025. “Nesses anos de apresentação, lidamos com públicos distintos em relação à classe social, faixa etária, etnia e religião. Apesar dessas diferentes plateias, percebemos como essas narrativas foram importantes para a construção e formação de cidadãos políticos, críticos sociais e antirracistas”, comenta Ayo Bento.

Segundo a pesquisadora, em alguns momentos a plateia se sentia representada e se identificava com as histórias logo no início do espetáculo; em outros, surgiam afastamento, julgamento e medo. Uma situação de esvaziamento de público em uma das apresentações levou Ayo Bento a transformar OlorumAyé: uma história iorubá em objeto de pesquisa para seu mestrado.

Como parte da pesquisa desenvolvida na Unicamp, o espetáculo retorna agora com apresentações seguidas de rodas de conversa. A peça contará com acessibilidade comunicacional, porém essa acessibilidade não estará presente nos debates. “Sentimos muito pela ausência de acessibilidade nos debates, mas, por restrições orçamentárias e estruturais, não tivemos outra alternativa. Enfatizamos que se trata de uma limitação temporária, e não de uma decisão excludente”, afirma Ayo Bento.

Sobre a pesquisa

Após o espetáculo, será realizada uma roda de conversa voltada a pessoas adultas interessadas em participar da pesquisa. Nesse espaço, o público poderá dialogar com a pesquisadora e com o grupo sobre suas impressões: o que motivou sua presença, quais cenas mais impactaram ou geraram identificação, medos vivenciados, preconceitos e tabus quebrados, pontos que não agradaram e possíveis melhorias.

“A proposta é criar um ambiente seguro para o compartilhamento de experiências, tanto artísticas quanto pessoais”, destaca Ayo Bento. Além do debate presencial, será enviado um formulário por e-mail e/ou WhatsApp com perguntas sobre o espetáculo e questões socioculturais, destinado a quem desejar contribuir mais ou não puder permanecer para a roda de conversa. Tanto no debate quanto no formulário, todas as perguntas serão opcionais. As informações serão tratadas com absoluto sigilo e anonimato, conforme os termos de consentimento livre e esclarecido, apresentados verbalmente e por escrito.

O projeto “OlorumAyé: uma história iorubá” é realizado pelo Ministério da Cultura do Governo Federal e pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo da Prefeitura de Campinas, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) de Fomento à Cultura – Edital nº 007/2024 – Lei nº 14.399/2022.

Consciência Negra

O Brasil foi o último país a abolir oficialmente a escravidão, em 13 de maio de 1888. Na cidade de Campinas, há registros da prática escravagista até meados da década de 1920. Diferentemente do que muitos livros de história retratam sobre a “libertação” dos povos escravizados, o processo abolicionista só foi possível graças à atuação da comunidade negra e indígena, por meio de fugas, resistência e mais de 400 anos de luta.

O projeto de pesquisa “A recepção do mito e do rito de um Teatro Negro Contemporâneo” utiliza o espetáculo OlorumAyé: uma história iorubá e as rodas de conversa como ferramentas para compreender e romper estigmas e preconceitos, trazendo para o centro do diálogo a cultura afro-brasileira, o culto aos Orixás e a cosmogonia do povo iorubá.

Conheça o Grupo ORIKI

Ayo Bento é mulher preta, atriz, graduada e mestranda em Artes da Cena pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e idealizadora do grupo.
Kaetê Okano, homem transmasculino não binário e indígena, é formado em Antropologia pela Unicamp e ator pelo Conservatório Carlos Gomes, de Campinas.
Renata de Oliveira é mulher preta, dançarina, graduada em Dança pela Unicamp e doutoranda em Educação pela mesma instituição.
Nico Villas Bôas, músico e compositor, é formado em Música Popular Brasileira pela Unicamp e também um dos fundadores do grupo.

O Grupo ORIKI atua no fortalecimento de espaços de resistência da cultura negra, buscando contribuir para a valorização da identidade do povo negro e para a educação antirracista.

SERVIÇO

OlorumAyé: uma história iorubá
Data: 28/01 (quarta-feira)
Horário: 9h
Local: Quadra da Praça José Paulino Ribeiro – Rua Antônio Augusto de Almeida Neto, Av. Um – Conj. Hab. Parque da Floresta – Jardim Bassoli, Campinas/SP
Entrada: gratuita
Indicação etária: livre
Acessibilidade arquitetônica: sim
Acessibilidade comunicacional: LIBRAS
Informações: @grupo.oriki

Sinopse

O espetáculo “OlorumAyé: uma história iorubá” narra itãs — histórias da tradição oral iorubá — do orixá Exu, aquele que come primeiro; da criação da Terra pelo Senhor Todo-Poderoso Olorum e pelo orixá Oxalá; do nascimento do vento pela orixá Iansã; dos saberes e encantamentos das ervas do orixá Ossaim; e da criação do ser humano pelos orixás Oxalá e Nanã. Por meio de uma linguagem simbólica, sutil, sensível, onírica e lúdica, o espetáculo convida o público a se aproximar do universo afro-brasileiro.

Ficha técnica

Texto: Ainá Ayofemi
Elenco: Ayo Bento, Kaetê Okano e Renata de Oliveira
Música: Nico Villas Bôas
Iluminação: Camilla Puertas
Som: Hellio Augusto
Produção Executiva: Ori-Okan Cultura & Arte-Educação
Assistente de Produção: Ana Carol Bastos
Intérprete de LIBRAS: Flávia Batista
Assessoria de Imprensa: Karime Ribeiro
Incentivo: Política Nacional Aldir Blanc (PNAB)