Foto publicada no instagram de @Edumartinsp.

Por Marcelo Rocha.

A revelação da semana para diversos portais e vários fotógrafos foi a descoberta da farsa que vivia o suposto fotojornalista paulista Eduardo Martins, que em meses conquistou milhares de seguidores em sua conta no Instagram onde se dividia entre cobertura de conflitos internacionais e seu hobbie como surfista.

Mas, o questionamento que vejo é sobre os Eduardos que são criados no dia a dia, com apenas um requisito básico, o garoto de olhos claros que “largou tudo” pra conquistar o mundo.

Como fotojornalista também fui seguidor desse que mostrava um trabalho incrível, acarretado de privilégios, mas, trabalhos muito bons na avaliação até de qualquer um da área. Além de sua historia de imortalidade compulsiva, saiu da leucemia, caiu em um coral e ficou horas com a cabeça batendo na série ou quando estourou um tímpano em Puerto, dentre tantas historias que Eduardo narrou em entrevistas, conversas e postagens em seu Instagram. Mas na ultima semana a farsa foi descoberta após a desativação da conta que já sofria certa desconfiança mesmo publicando seu material em grandes veículos como Vice, BBC, Wall Street Journal, Al Jazeera, Lens Culture e tantos outros de grande relevância.

O que não pode passar despercebido no caso @Edumartinsp é a construção desse personagem que passa diretamente pelo pensamento colonizado das representações daquilo que é o Brasil internacionalmente e principalmente quando se trata de questões politico-profissionais, a imagem que é atribuída conforme todos os padrões possíveis dentro da sociedade é um ilusório fácil que só se constituem, pois tem quem compra, principalmente dentro do meio da comunicação. A contra narrativa hegemônica ainda é tratada como “cota” e ocupa somente essa posição, o que passar disso é sorte.

Quantos fotógrafos negros tem parte dos seguidores ou publicações em veículos como o que escancaravam as portas para Eduardo?

Os mesmos padrões que criam supostos fotógrafos como Martins, são aqueles que criam “o profissional” como já passei e ouvi relatos de diversos comunicadores negros que mesmo experientes são tomados com desdém. Inclusive no meio dessa semana em viagem me desloquei a fotografar um evento no Rio de Janeiro e tive que ficar um bom tempo provando que era fotógrafo isso com equipamentos em mão e não pela primeira vez no local. Até mesmo o caso do cantor Fióti que foi barrado no lançamento de sua própria marca no SPFW, pois não tinha o padrão “Eduardo Martins” da moda, casos e casos que se repetem pela necessidade de consumir algo que venha de mãos alvas.

Saber que o caso não é isolado, todos sabemos, mas quem cria e alimenta o “fake people” seriam os mesmos engolidos e enganados pelos olhinhos azuis?

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