Por Carla Luã Eloi

Crítica com spoiler

A primeira coisa que salta aos olhos e te envolve na narrativa criada por Louise Xavier é a direção de fotografia. Imagens serenas de praia, mar, céu e árvores em um lindo contraste entre natureza e urbanidade dão início a história de Safira, uma mulher imponente e de presença marcante por onde passa. As cores alegres somadas aos planos abertos e médios dão, já de cara, uma sensação de leveza, de tranquilidade, complementada por uma trilha sonora delicada e doce, trazendo ainda mais charme ao curta.

Uma ficção estilo comédia romântica hollywoodiana dos anos 90, na qual a protagonista, uma mulher independente e empoderada, tem sua rotina virada de ponta-cabeça, quando recebe de sua falecida tia uma herança: Pandora, uma gatinha que vai mudar a vida de Safira.

Toda a construção visual e sonora dessa obra dialoga perfeitamente bem com o roteiro, também leve e envolvente. O filme aborda o cotidiano de Safira: caminhando pela praia, trabalhando online como sexworker, sua relação familiar e a chegada de Pandora, que a deixa completamente desconsertada, num primeiro momento, mas após um período convivência e adaptação, a pequena gatinha conquista o coração de Safira.

Uma das cenas mais marcantes do filme é o reencontro de Safira e Pandora, mediado por Guga, um jovem rapaz que cruza o caminho de Safira durante sua busca pela gatinha desaparecida. Guga se apaixona à primeira vista por Safira, e não mede esforços para ajudá-la a encontrar Pandora. O filme termina no início de história de amor.

Foto: Amanda Olbel

À Procura de Pandora é um filme revigorante para as pessoas trans espectadoras, já que não trabalha as pautas de violência, aceitação, saúde e preconceito, típicas em produções de grande porte sobre travestis e pessoas transgêneros, temas que são reais e importantes, mas que não deviam limitar a produção audiovisual feita por ou para pessoas trans.

À Procura de Pandora conta uma história divertida e romântica, num clima leve e descontraído, de afeto, carinho, romance, comédia, tudo isso com a interpretação fantástica de Louise Xavier. O conjunto coeso de produção/direção/fotografia/trilha sonora/roteiro/atuação dá ao curta o seu gosto cativante e ao público emoção, diversão e entretenimento de qualidade.

Carla Luã Eloi escreveu esta crítica em colaboração ao FOdA Fora do Armário, editoria LGBT+ da Mídia NINJA, a partir da exibição do filme no Festival AudioTransVisual

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