Foto: Arquivo

Ontem, domingo (24), a influenciadora digital Liliane Amorim morreu aos 26 anos por conta das complicações de uma LIPOASPIRAÇÃO. Esta mulher da foto, magra, branca, lisa, tão próxima do padrão.

Estudos consagrados apontam que a taxa de mortalidade para lipoaspiração é de 19 mortes para cada 100.000 cirurgias realizadas. Parece pouco devido a subnotificação, mas talvez seja o dado que faltava pra gente poder de fato realizar uma coisa:

GORDOFOBIA MATA.

PRESSÃO ESTÉTICA MATA.

O Brasil é o país que mais faz cirurgias plásticas do mundo. Nós, o país do carnaval, da mulata tipo exportação, admiradores da beleza cis-europeia, da bunda, do turismo sexual. Da gordofobia.

Essa fórmula leva muitas de nós pra mesa de cirurgia para fazer um procedimento que pode resultar em perfuração de órgãos, por exemplo. Leva tantas outras ao mesmo destino por uso do silicone industrial.

Quantas mortes decorrentes das dietas milagrosas, das pílulas que secam, das bariátricas, dos hormônios acontecem e não ficamos sabendo? A quem serve essa desinformação? Que mensagem querem passar os médicos que aceitam fazer essas cirurgias em um corpo como de Liliane?

A não-morte também tem consequências. Cai cabelo da química, desenvolve bul1m1a e anorex1a, lesões por causa dos exercícios, deformidade nos dentes por conta do vômito…

Até quando a norma (inventada e alimentada por homens brancos cis, gays e héteros, por muitas vezes medíocres) vai ditar como devem ser os corpos das mulheres cis e trans?

Eu não tenho nada contra procedimentos estéticos, acho que são feitos ou por mulheres adoecidas por um ideal irreal de beleza ou por mulheres que se orgulham de quem são e se conhecem o suficiente para saber o que querem do seu corpo.

Mas eu tenho TUDO contra uma sociedade que criou uma cenário onde pessoas como liliane morrem.

Gordofobia mata. Padrão estético mata.

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