O que você pensa que sabe sobre pansexualidade?

Dia 08/12 foi dia do Orgulho PAN! E por aí muita gente ainda não entendeu ou se confunde ou tá tirando a gente de otário. Por isso, escrevi aqui um pouco sobre os mitos que já ouvi por aí sobre pansexuais e panromânticos.

0 – O que é pansexualidade?

É a atração sexual e romântica por pessoas de todos os gêneros – ou independente deles. O fator definidor aqui é que genitália e identidade de gênero não determinam nosso interesse.

1) Existe uma guerra entre Bi x Pans

Tem uma ideia muito errada de que a grande diferença entre bi e pan é que pan é uma sexualidade mais inclusiva, abrangente, que “engloba” pessoas trans e não binárias, diferente da bissexualidade. Precisamos debater transfobia no meio bi e sapatão, mas essa é uma grande besteira. O manifesto bissexual já deixa bem claro que o gênero é fluido e não deve ser entendido como uma coisa binária. Logo as duas sexualidades podem se atrair por todo espectro de gênero. Não caia nessa pan.

2) Pan é um bi metido a besta

Já ouvi que pan é tipo um bi sem limites, rs. Isso é mais uma tentativa de invalidar ambas identidades não-monosexuais. Essa ideia de que o mundo deveria caber em “hétero e homossexual” e por isso todo o resto é “qualquer coisa”. Bissexualidade e pansexualidade são coisas diferentes, mas igualmente fodas. Seus sentimentos, amores e atrações vão válidos e não devem ser diminuídos por quem não se deu ao trabalho de te entender.

3) Se você nunca ficou com alguém trans você não é pan

Frase típica coisa de macho branco hétero medíocre na fila do banco. Parte da ideia de que sua sexualidade só é valida se você “testou” tudo que você fala ou que sexualidade é uma modinha, logo você está ganhando algum status dizendo que é bi ou pan, por exemplo. É a mesma ideia absurda que leva alguém a dizer que a pessoa é trans pra chamar atenção. Costumo dizer que ninguém nunca cobrou recibo de comer mulher pra macho hétero nenhum, logo não tenho que provar nada pra ninguém, mas pra além disso é importante entendermos que desejo e amor são sentimentos subjetivos e (ta-dãm) íntimos. Não temos que explicá-los ou mesmo vivê-los para que se tornem “reais”.

Dito isso pontuo que:
– essa afirmação é transfóbica
– essa afirmação é bifóbica
– essa afirmação é panfóbica
– essa afirmação é burra
– pessoas heteronormativas deveriam “experimentar” outras coisas para para de falar besteira

brigada, de nada.

4) Pan se atrai por TUDO (incluindo objetos)

Muita, muita, mas muuuuita pessoa faz cara de gota quando falo sobre ser pan e autocompleta que tem a ver com gostar de animais, plantas e variados objetos inanimados. Apesar de que todos nós somos passíveis de nos apaixonarmos por dildos (hehehe) não preciso nem ir muito a fundo para deixar isso de lado né? “Árvore” e “golfinho” por exemplo, não são identidade de gênero, logo não se encaixam em “todos os gêneros”, certo? Isso tem outro nome e pelo que me lembro homens héteros são mais adeptos desta prática.

Obs: Boa parte do humor pan é brincar com a perspectiva de que nos atraímos por panelas, mas mais pra zoar a cabeça do amiguinho (falando nisso cê pensou na orgia que é um panelaço menina?).

5) Pan se atrai por TODOS (incluindo você)

Outra coisa é achar que justamente porque nos atraímos por todos os gêneros (ou independente de gênero) vamos nos atrair por QUALQUER UM. inclusive o cara bêbado chato do bar ou a mina que não consegue entender que não vai rolar. Pansexuais não têm a obrigação de se atrair por ninguém se todo mundo já sabe como se chama o que vem depois do não, não é mesmo? Relaxem, vocês não são tão interessantes assim.

6) Pans são promícuos

Esta é uma variação cruel do “erro” acima. Eu já tive que ouvir de mulheres em um encontro feminista de que nunca se relacionaria com uma mulher pansexual porque não dá para confiar na gente. Que somos fáceis, dadas e que por isso não conseguimos manter um relacionamento monogâmico. É a mesma coisa que as pessoas bi passam, como se fôssemos insaciáveis. Apesar de conhecer um quantidade de pessoas bi e pans que são mais abertas a desconstruir a monogamia compulsiva, nada disso é feito sem muita conversa, acordo mútuo e papo honesto. Por outro lado, a maior parte dos pans que conheço está bem feliz com o mô fiel mesmo.

7) Sexo e amor são a mesma coisa

Não são não, rs. Isso é um mito pra todos as sexualidades, na verdade. Exemplo: se você é heterossexual se assume que você também seja heteroromântico. Isso tudo acontece porque somos uma sociedade baseada no conceito de que o sexo é algo imprescindível e que o amor romântico deve estar conectado a ele. O que aprendemos com nossos amigos assexuais, arromânticos ou demis é que não é bem assim. Por isso é mais comum você ver algum pan dizendo que é panromântico, mas homossexual, por exemplo. Vou te dar um tempo para você pensar sobre isso.

8) Ok, mas polissexual já é invenção!

“Pan” significa “todos” e “poli” significa “muitos”. Na coisa da técnica ali significa que pan pode interessar por todos os gêneros e poli por muitos, mas não por todos, tendeu? Ou seja, mais uma sexualidade válida e mais uma galera da hora pro bonde da não-monosexualidade.

Espero que esse guia tenha tirado um pouco do PANico da sociedade e tenha te ajudado a entender como somos PANtásticos!

Tá bom parei.
Tchau 🙂

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Roger Cipó

Carta a Raull Santiago

Renata Souza

A festa é nossa, o corpo é meu!

Boaventura de Sousa Santos

O desenvelhecimento do mundo

Preta Rara

Ministro Paulo Guedes, fui empregada doméstica e preciso te dizer uma coisa

Roger Cipó

A racialização do homem branco que se faz de régua e regra

Daniel Zen

Jaguncismo de novo tipo como método de intimidação política

Jonas Maria

Trans nos esportes: o projeto, a incoerência e a transfobia

André Barros

Politizar é carnavalizar

Ana Claudino

Feminismo, Big Brother, bolhas e classes sociais

Ana Júlia

Continuaremos a apoiar meninas e mulheres na ciência?

Victoria Henrique

Trabalhadores do RJ que vendem água mineral na rua para você, sequer têm água mineral em casa para beber

Jorgetânia Ferreira

Somos todas domésticas?

Tatiana Barros

Madá, o ciberespaço e a história da internet

Daniel Zen

Um Posto Ypiranga sem combustível

Randolfe Rodrigues

A demagogia governamental contra o Bolsa Família