Talvez você já tenha visto essa sigla de 3 letrinhas por aí. ESG é Environmental, Social and Governance. Traduzindo: Meio Ambiente, Social e Governança. São três palavras para medir o índice de sustentabilidade e impacto social do segundo setor, as empresas. O conceito já existe desde 2004 quando a ONU (Organização das Nações Unidas) mandou uma carta para mais de 50 presidentes de organizações financeiras globais convidando essas lideranças a pensarem no seguinte desafio: Como integrar o ESG aos mercados de capitais? O então secretário geral da ONU na época, Kofi Annan, foi bem sagaz ao conectar o meio ambiente, o social e a governança diretamente à avaliação financeira de uma organização.

Eu sei que para muitos isso pode parecer óbvio, que a conservação do meio ambiente e a proteção dos direitos humanos por exemplo tem um valor financeiro, mas infelizmente para os donos do capital financeiro não. Por exemplo, foi somente em fevereiro deste ano que os bancos suíços cortaram o financiamento da exploração da Amazônia. Foi somente esse ano que a Natura captou US $1 bi com títulos atrelados à sustentabilidade (antes o empréstimo era com 5,375% de juros e depois da meta de redução das emissões de gases do efeito estufa, o juros foi para 4,125%). Uma “economia” para a Natura de 50 milhões de juros e uma economia para nós, terráqueos, de muitos pulmões doentes.

Desde o ano passado, várias iniciativas começaram a pautar o tal ESG, a mídia reforçou seu apoio à pauta e hoje quem ainda não tem uma estratégia ESG está comendo poeira e mais que isso: está perdendo valor de mercado. A consciência global dos cidadãos está se ampliando como nunca. Já sabemos que nossa terra, nosso ar, o futuro e o presente das gerações tem valor, e muito!

Foi também ano passado que surgiu um novo indicador global batizado de Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado às Pressões Planetárias (IDHP), criado com o objetivo de medir a pressão que o desenvolvimento dos países exerce sobre o meio ambiente. Ou seja, o IDH (índice de desenvolvimento humano) ganhou um P. Com o P, o Brasil subiu 10 lugares e os EUA caíram 45 posições no ranking global. Ter esses padrões globais de comparação é importantíssimo para definição da rota do dinheiro e monetizar o valor das nossas florestas em pé. Isso claro com um governo comprometido verdadeiramente com a causa. O que, infelizmente, não está sendo o caso do Brasil com esses genocidas no poder.

Mas sinto em dizer que enquanto não temos um governo comprometido novamente, nos resta (além de tentarmos impedi-los de governar) seguir a luta nos organizando enquanto sociedade civil e pressionando o capital privado a desenhar suas estratégias ESG, investir mais e melhor em projetos de interesse público, sem fazer apenas marketing verde. Para quem quer fazer algo, vou dar uma dica: entre no site da sua empresa preferida, busque pelo seu relatório de sustentabilidade e entenda o que ela está fazendo, quanto ela está investindo, qual o percentual do lucro que está indo para causas de interesse público e não apenas para o bolso dos seus acionistas. Leu e achou pouco? Escreve para ela. Faz um post contando o que descobriu, conte para sua rede. Já atendi muitas empresas que começaram a fazer suas estratégias por estarem sendo convocadas pelos seus públicos a fazerem algo por determinada causa.

Atuo como consultora de ESG há 10 anos. Amo o que faço. Mas além de consultora de sustentabilidade, empreendedora e consumidora, costumo dizer que sou uma cidadã do mundo e estou engajada na ampliação da consciência pessoal, profissional e jurídica. Atrás de um CNPJ, existem humanos que tomam decisões diárias sobre nosso bem comum.

E aí, sente-se animado para fazer a sua parte? Se você atua em uma empresa então, seja um intraempreendedor e inicie o planejamento ESG o quanto antes. O tempo urge e a gente te agradece!

 

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