Por Camila Cardoso Santos | Copa FemiNINJA

foto: divulgação

O futebol feminino vem ganhando notoriedade nos últimos meses. No dia 17 março deste ano, por exemplo, 60,739 pessoas assistiram o time feminino de Barcelona enfrentar o Atlético de Madrid pela Liga Iberdrola e ganhar de 2 a 0 do rival fora de casa, no estádio Wanda Metropolitano, em Madri. Sem dúvida um marco histórico a ser celebrado, considerando que algo similar não acontecia desde 1920, um ano antes das mulheres serem banidas de jogar futebol na Inglaterra pela associação de clubes de futebol. Neste ano, 53.000 pessoas lotaram o Goodison Park, Liverpool, com mais 14.000 supostamente recusados, para assistir ao famoso Dick Kerr’s Ladies que venceu o St Helens por 4 a 0. A popularidade do futebol feminino na época foi um forte fator para tal decisão e sua recuperação demorou quase um centenário.

Passados também quase 100 anos o banco Barclays, da mesma Inglaterra que o futebol feminino foi banido em 1921 por 50 anos, anunciou um contrato multimilionário de mais de 10 milhões como o primeiro patrocinador da recém-profissional WSL – Superliga Feminina – nas próximas 3 temporadas, um recorde para o esporte feminino no Reino Unido, com direito a premiação de 500.000 libras divididas de acordo com a posição da liga em cada temporada. Os ingressos para o amistoso de Inglaterra e Canadá em abril, no Academy Stagium, também esgotaram. Não há como negar que o apetite pelo futebol feminino vem crescendo e com ele o interesse econômico no setor.

As emissoras de TV estão em concomitância com estas demandas do mercado. Muitas estão transmitindo os jogos da Copa do Mundo Feminina em 2019, exercendo grande influencia nos negócios esportivos. No Brasil, as redes pagas SporTV e Band Sports transmitirão todo o torneio, assim como as redes abertas Globo e Band irão cobrir jogos da seleção feminina brasileira. A TV Band também exibiu a abertura. A Nike não ficou de fora e escolheu este momento para exibir novo comercial da série “Dream” para comemorar o início do torneio, incentivando as meninas a descobrirem o futebol.

A seleção brasileira tinha de jogar com os uniformes largos masculinos até 2015 quando a Nike desenhou o uniforme para a Copa do Mundo do Canadá, mas não o comercializou. Finalmente, em 2019, a seleção tem um modelo fixo e comercializado com a inscrição: “Mulheres Guerreiras do Brasil” nas costas da gola da camisa.

As guerreiras do Brasil também tiveram algum avanço em termos de publicidade. Guaraná Antártica, patrocinador das seleções brasileiras masculina e feminina de futebol há 18 anos, atendeu a uma maior necessidade de divulgação do futebol feminino com publicidade exclusiva através de comercial com as craques Fabi Simões, Andressinha e Cristiane mostrando que o futebol feminino “É Coisa Nossa”. A principal patrocinadora também convocou outras marcas para apoiar o futebol feminino e mês passado divulgou as que aceitaram a demanda: agência de publicidade Almap BBDO, Boticário, DMCard, GOL e Lay’s. De forma tímida o banco Itau começa a referir à seleção feminina em vídeo institucional.

Ainda, há um longo caminho pela frente para melhoria na diferença de visibilidade entre os gêneros. As receitas patrocinadas da Copa do Mundo masculina chegaram a US$ 529 milhões. No mundial feminino, US$ 17 milhões de investimentos privados. Marta e Neymar, dois ícones do futebol brasileiro, representam esta desigualdade.
De acordo com a revista americana de negócio Forbes, a eleita 6 vezes como melhor jogadora do mundo pela Fifa recebe de salário anual cerca de US$400 mil contra US$17 milhões de Neymar vindos de publicidade e patrocínio. A pressão popular é importante não apenas para a valorização da modalidade esportiva mas pela luta de igualdade de gênero.

Há um pouco de cinismo na razão do súbito interesse em investir no esporte feminino. Seria devido ao crescente movimento de igualdade aumentando a popularidade nos últimos anos ou ao baixo custo em comparação ao benefício alcançado? De qualquer forma, por demanda de mercado ou de gênero, o jogo das mulheres está pronto para estádios completos se tornarem realidade.

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