Por Daniel Santana, para Cobertura Colaborativa Paris 2024

Prova nobre do atletismo, a maratona com certeza é um dos grandes eventos Olímpicos. Tendo origens vindas da Grécia antiga, o evento possui inúmeras histórias que marcaram gerações e entraram para a eternidade dos jogos. Você conhece alguma delas? 

Atletas que possuem dois ouros

Ganhar uma maratona é um grande desafio. Vencer duas edições então, é mais difícil ainda. Esse feito até o momento, tanto entre homens, quanto mulheres, só foi conquistado por três atletas em toda a história das Olimpíadas. 

Foto: Abebe Bikila, bicampeão olímpico (Wikipedia)
  • O etiope Abebe Bikila em Roma 1960 e Tóquio 1964, primeiro vencedor africano da história em maratonas, sendo a primeira delas descalço;
  • Waldemar Cierpinski, alemão que venceu nas edições de Montreal 1976 e Moscou 1980;
  • Eliud Kipchoge, queniano que possui duas medalhas de ouro na maratona: Rio 2016 e Tóquio 2020.

Kipchoge, que estará em Paris para a competição, pode se tornar o maior vencedor da história da prova. 

A estreia da prova feminina em Los Angeles

A primeira edição da maratona em olimpíadas foi em 1896 nos jogos de Atenas. A prova foi disputada apenas por homens e seguiu assim durante muitos anos. Com a aceitação da modalidade, mulheres passaram a competir, mesmo que de forma independente. 

Porém, apenas nas Olimpíadas de Los Angeles em 1984 que o COI inseriu a prova com mulheres nos jogos, quase 90 anos após o início das competições na modalidade.

Cinquenta mulheres participaram da prova, onde a primeira vencedora da história foi a estadunidense Joan Benoit, que com um ritmo forte, chegou ao Memorial Coliseu no tempo de 2:24:52. A norueguesa Grete Waitz-Andersen foi a segunda colocada e a portuguesa Rosa Mota ficou com o bronze. 

Foto: Gabriela Andersen-Schiess nas Olimpíadas de 1984. Foto: Focus on Sport/Getty Images

A prova também é muito lembrada por conta da emocionante chegada da suíça Gabriela Andersen-Schiess, que se tornou um símbolo de amor ao esporte e dedicação nos jogos. Fisicamente esgotada, Gabriela não conseguia se manter em pé ao entrar no estádio, mas não aceitou a ajuda dos médicos pois queria completar a prova. Até cruzar a linha de chegada, ela foi ovacionada pelo público, no que se tornou um dos grandes momentos da história olímpica. Ela fechou o percurso na 37ª colocação.

Rosa Mota, a pioneira portuguesa em ouros

A já citada Rosa Mota é uma verdadeira lenda do esporte português. A medalha conquistada em 1984 já a colocou na história como a primeira mulher portuguesa a chegar ao pódio pelo país lusitano. 

Nos Jogos de Seul, quatro anos após o pódio inédito, ela venceu a segunda edição da maratona feminina e foi a primeira atleta, entre homens e mulheres, a conquistar um ouro para Portugal. 

Rosa Mota, lenda do esporte português. Foto: Mike Powell/Allsport

Além das medalhas olímpicas, Rosa foi uma atleta de excelência em maratonas ao redor do mundo, sendo muito lembrada aqui no Brasil ao vencer a corrida de São Silvestre seis vezes consecutivas, de 1981 a 1986, sendo a maior vencedora da história da prova feminina. 

Esses e outros feitos, a colocaram na prateleira dos grandes esportistas da história. 

Domínio africano em vitórias

Em ambas as disputas, o continente africano tem o maior número de vencedores com sobras. Ao todo, são 14 vitórias em maratonas olímpicas, sendo dez no masculino e quatro no feminino. 

Maratona feminina nos jogos de Tóquio em 2020. Foto: Charly TRIBALLEAU / AFP

O país com o maior número de conquistas é o Quênia com cinco ouros. Os vencedores são:

  • Masculino: Samuel Wanjiru (Pequim 2008 – Atual recorde olímpico da prova, 2:06:32) e Eliud Kipchoge (Rio 2016 e Tóquio 2020)
  • Feminino: Jemina Sumgong (Rio 2016) e Peres Jepchirchir (Tóquio 2020)

A tendência é que os números venham a aumentar nesta edição. 

A redenção de Vanderlei Cordeiro 

Esse momento não poderia ficar de fora de qualquer lista. O nosso Vanderlei Cordeiro de Lima liderava com folga a maratona em Atenas, lugar sagrado para o atletismo mundial, quando foi empurrado para fora da pista por Cornelius Horan, padre irlandês que era conhecido por protestos em diversos eventos, como por exemplo um ano antes no Grande Prêmio da Inglaterra de Fórmula 1, ao invadir a pista durante a corrida. 

Com o incidente, Vanderlei acabou perdendo a concentração e consequentemente, o primeiro e o segundo lugar nos sete quilômetros restantes. Para muitos atletas, seria o fim, mas não pro nosso gigante do atletismo. 

Foto: Washington Alves/COB

Ele entrou no estádio de Atenas brincando, fazendo aviãozinho com os braços e vibrando muito, o que o fez ser ovacionado pelo público em uma demonstração de que independentemente dos percalços, ele era o verdadeiro vencedor. 

Com o bronze e toda euforia, Vanderlei passou a receber o reconhecimento do mundo por seu espírito esportivo, algo que anos depois o rendeu a medalha Pierre de Coubertin, uma das maiores honrarias que um atleta pode receber por todos os serviços prestados ao esporte.